A pandemia deixou de ser o principal fator de instabilidade na economia global, segundo a ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen. Ela afirma que agora governantes, empresas e bancos centrais enfrentam uma série de choques cumulativos que mudam constantemente as expectativas para inflação, crescimento e investimentos. Em entrevista, Yellen destacou que estamos vivendo uma sequência contínua de choques.
Essa nova realidade difere do que se observou nas últimas décadas, quando crises eram vistas como eventos isolados, seguidos por períodos mais estáveis. Hoje, a interação simultânea de tensões comerciais, riscos geopolíticos e inovações tecnológicas dificulta a previsão do comportamento inflacionário e complica as ações dos bancos centrais.
Yellen identificou três principais forças que estão moldando a economia global:
- O retorno do protecionismo e a fragmentação do comércio: As tarifas de importação reinstauradas pelos Estados Unidos podem elevar custos ao longo das cadeias de produção global, criando novas pressões inflacionárias. A economista critica a política tarifária do governo de Donald Trump, afirmando que ela não traz benefícios aos Estados Unidos e prejudica o Brasil. Além disso, argumenta que tarifas não são uma solução eficaz para o déficit comercial americano, pois tendem a encarecer bens e dificultar o controle da inflação.
- O petróleo como um risco persistente para a inflação: Embora a inflação tenha diminuído desde os altos níveis de 2022, Yellen alerta que um novo aumento expressivo nos preços do petróleo ainda é uma grande preocupação. Um barril retornando à faixa de US$ 100 teria impactos significativos sobre os preços em diversos setores, afetando custos de transporte, logística e alimentos. Dessa forma, a política monetária enfrenta um desafio adicional em situações de choques energéticos.
- A pressão da inteligência artificial sobre os preços: Embora a inteligência artificial seja frequentemente associada ao aumento da produtividade, Yellen observa que seus efeitos imediatos têm pressionado os preços para cima. Os investimentos necessários em infraestrutura e semicondutores, que estão crescendo rapidamente, estão ampliando o consumo de energia, o que também contribui para o aumento dos preços antes que as eficiências do setor se manifestem.
As forças mencionadas por Yellen refletem diferentes origens, como decisões políticas, tensões no setor de energia e avanços tecnológicos. Juntas, elas elevam os custos e tornam a inflação mais persistente. Este cenário ajuda a compreender as dificuldades enfrentadas pelos bancos centrais, mesmo após um aumento significativo nas taxas de juros. Com a economia global moldada por esses choques, governos e investidores precisarão se adaptar a novas realidades nos próximos anos.
Com informações de forbes.com.br.








