Belo Horizonte – Recentes fugas em unidades prisionais de Minas Gerais, ocorridas em um intervalo de três dias, deixaram nove detentos foragidos e chamaram atenção para as condições do sistema prisional no estado.
A primeira fuga aconteceu na madrugada de segunda-feira, quando sete presos escaparam do Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, em Belo Horizonte, após abrirem um buraco em uma cela e ultrapassarem o muro da unidade. Até o momento, quatro dos fugitivos foram recapturados, enquanto Luiz Fernando Freitas Pereira, Saymon Patric Gomes Silva e Bruno Gustavo Gomes da Paixão ainda permanecem foragidos.
Três dias depois, uma nova fuga foi registrada no Presídio de Passos, no Sul de Minas, onde seis presos conseguiram escapar devido ao rompimento do cadeado de uma cela durante uma conferência de rotina. Nenhum deles foi recapturado até a última atualização das autoridades.
“Não é um fato isolado”, diz policial penal
O vice-presidente do Sindicato dos Policiais Penais de Minas Gerais, Wladimir Dantas, destacou que as fugas não devem ser vistas como episódios isolados. Segundo ele, o sistema prisional enfrenta um processo de sucateamento, refletindo problemas estruturais antigos, como a falta de manutenção nas unidades e a carência de servidores.
Dantas ressaltou que o Ceresp Gameleira, sob a administração da Polícia Penal desde 2004, nunca recebeu as reformas necessárias. Ele criticou a obsolescência dos cadeados e a deterioração das instalações, onde é evidente a falta de manutenção. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, por outro lado, informou que investimentos em reformas visam aumentar a capacidade de vagas no presídio.
Déficit de servidores
Outro problema identificado é o número insuficiente de policiais penais para atender as demandas do sistema. Atualmente, Minas Gerais conta com pouco mais de 16 mil servidores para lidar com 168 unidades prisionais, um número considerado muito abaixo do ideal, que seria entre 25 mil e 30 mil. O estado, que já teve 20 mil detentos em 2004, hoje é responsável por uma população carcerária acima de 80 mil.
Embora a Secretaria tenha anunciado a destinação de cerca de 3,4 mil novos agentes desde 2024, o deficit ainda é significativo. O efetivo atual não tem acompanhado o crescimento da população prisional, que chega a ser uma das maiores do país.

Dantas também alertou para a situação dos equipamentos utilizados pelos profissionais, que são considerados defasados, com coletes e armamentos antigos. Isso gera preocupações em relação à segurança tanto dos servidores quanto dos detentos.
Impactos na saúde dos servidores
De acordo com o vice-presidente do Sindppen, a sobrecarga de trabalho tem gerado sérios problemas de saúde entre os policiais penais, que enfrentam altos índices de afastamento médico devido ao desgaste psicológico e a outras questões relacionadas à saúde mental. Ele também enfatizou a importância de valorização da categoria, dado que os servidores têm enfrentado perdas salariais ao longo dos anos.
“Neste ano houve um reajuste de 5%, mas as perdas inflacionárias acumuladas ultrapassam 40%.”
Investigações em andamento
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública instaurou procedimentos administrativos para investigar as circunstâncias das fugas em Belo Horizonte e Passos. As forças de segurança continuam as buscas pelos nove detentos foragidos e solicitam que informações que possam auxiliar nas localizações sejam repassadas de forma anônima pelo Disque Denúncia.
Além disso, o Governo de Minas começou a entregar cerca de 2.700 novas vagas nas unidades prisionais do estado, com obras em andamento para a construção de novas penitenciárias e ampliações das existentes. Investimentos significativos têm sido feitos para melhorar as condições do sistema prisional, incluindo reformas estruturais necessárias.
Com informações de metropoles.com.







