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Brasil se torna parceiro estratégico da União Europeia em minerais críticos

O Brasil exportou US$ 11,4 bilhões em minerais críticos e estratégicos em 2025, com 37,6% destinados à União Europeia, que depende de fornecedores externos para esses recursos. O estudo destaca a discrepância entre reservas e produção, especialmente em terras raras e grafite.

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Reprodução/Forbes Money | Forbes Brasil

O Brasil se firmou como um fornecedor estratégico de minerais críticos e estratégicos para o mundo em 2025, alcançando a marca de US$ 11,4 bilhões em vendas, o que representa um aumento de 12,5% em relação ao ano anterior. De acordo com um levantamento recente, a União Europeia recebeu US$ 4,3 bilhões desse total, equivalendo a 37,6% das exportações brasileiras, em um momento em que o bloco depende fortemente de fornecedores externos para atender sua demanda por minerais utilizados em baterias, turbinas eólicas, semicondutores e equipamentos de defesa.

A estrutura das exportações brasileiras revela o porquê do crescente interesse da UE pelo Brasil. O cobre, por exemplo, destaca-se como o produto mais comercializado, com vendas que somaram US$ 6,04 bilhões em 2025, representando um aumento de 19,5%, sendo que US$ 3,16 bilhões foram direcionados à Europa, ou seja, mais da metade (52,3%) das exportações desse mineral. O níquel também apresenta uma distribuição similar, com 44,9% das exportações destinadas ao bloco europeu, enquanto o grafite apresentou 37%. Um crescimento significativo foi observado nas exportações de terras raras, que saltaram 246,7% entre 2024 e 2025, totalizando US$ 14,9 milhões.

Um ponto interessante destacado pela pesquisa é a discrepância entre as reservas e a produção do Brasil: o país possui vastas reservas, mas sua produção ainda é inferior ao potencial. No caso das terras raras, por exemplo, o Brasil concentra 24,7% das reservas globais, porém responde apenas por 0,5% da produção mundial, representando a maior diferença entre reserva e produção analisada. Em grafite, as reservas são de 23,9% e a produção apenas 3,6%; já no níquel, a proporção é de 11,4% para 1,8%. Vale ressaltar que, no lítio, o Brasil já produz mais do que o volume de suas reservas indica, com 1,5% das reservas globais e 4,1% da produção.

O nióbio tem uma situação diferente: o Brasil detém 65,6% das reservas mundiais e responde por 92,9% da produção do mineral, utilizado em ligas de aço de alta resistência e componentes eletrônicos, o que representa a mais alta posição do país no mercado entre todos os minerais analisados.

Um dos principais desafios agora é o financiamento necessário para transformar essas reservas em produção efetiva. O BNDES já contribuiu significativamente, alcançando a meta de R$ 300 bilhões em projetos voltados à transição energética e industrial até dezembro de 2025. Desse total, R$ 271 bilhões foram destinados a crédito, R$ 21 bilhões a recursos não reembolsáveis e R$ 8 bilhões em participação acionária. Em fevereiro de 2026, foi anunciada a disponibilização de mais R$ 70 bilhões para a Nova Indústria Brasil, incluindo R$ 12 bilhões para pautas de sustentabilidade, exemplificado pelo financiamento de R$ 486,7 milhões à Sigma Mineração para aumento na produção de concentrado de lítio.

Por outro lado, a União Europeia está investindo quantias bem maiores. Entre 2021 e 2024, foram mobilizados mais de € 306,8 bilhões em investimentos sustentáveis, sendo que € 31,5 bilhões foram direcionados à América Latina e ao Caribe. A expectativa é de gerar até € 232 bilhões adicionais. O programa Horizon Europe, voltado para pesquisa e inovação, tem um orçamento de € 93,5 bilhões para o período de 2021 a 2027, com previsões de crescimentos futuros.

O capital privado já mostra onde está investindo. No Brasil, há 28 projetos greenfield mapeados com investimentos de US$ 7,15 bilhões, mas a maioria do financiamento vem de outras fontes, como Austrália e Canadá, que respondem por 48,6% e 37,3%, respectivamente. O capital europeu, por sua vez, representa apenas 4,9% desse total, com exceção do setor de silício, onde os investidores europeus dominam.

O desafio identificado não é geológico, mas sim relacionado ao capital e ao processamento. O Brasil se destaca na extração e beneficiamento primário, mas tem uma participação limitada nas fases seguintes da cadeia, onde o valor está concentrado e onde os investimentos europeus poderiam ter um impacto significativo no desenvolvimento do setor.

Com informações de forbes.com.br.

TAGS: Segurança

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Advogado, autor, professor e palestrante focado na transformação digital da sociedade. Especializado em Direito Civil e atuante no Direito Digital e Empresarial.

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