O governo federal do Brasil informou que 47,3% das exportações brasileiras sofrem impacto devido às tarifas impostas pelos Estados Unidos. Essa estimativa inclui as novas tarifas de 12,5% anunciadas recentemente e a tarifa de 25% divulgada na semana anterior, além da sobretaxa aplicada ao aço e alumínio, que já está em vigor desde o ano passado.
Ao focar apenas nas novas tarifas, o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) calcula que 23,1% das exportações brasileiras estão diretamente afetadas, com 52,7% das exportações livres de tarifas adicionais setoriais ou específicas relacionadas ao Brasil.
Dentre os produtos afetados:
- 4,7% das exportações encontram-se sob a sobretaxa de 12,5%, que inclui itens como obras de pedra, gesso, minérios, óleos essenciais e produtos de perfumaria;
- 1,9% estão sob a sobretaxa de 25%, abrangendo produtos como açúcar;
- 16,5% passam a sofrer ambas as tarifas, totalizando uma sobretaxa acumulada de 37,5%, com produtos como máquinas, equipamentos, madeira e calçados.
Recentemente, os Estados Unidos implementaram uma nova tarifa sobre importações de cerca de 60 países, incluindo o Brasil, com base na falta de fiscalização sobre mercadorias produzidas com trabalho forçado. A tarifa de 12,5% entrou em vigor ontem.
Na semana anterior, os EUA já haviam confirmado uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, embora uma ampla lista de itens permaneça isenta. Consequentemente, alguns produtos brasileiros agora enfrentam uma sobretaxa total de 37,5%.
A elevação das tarifas não é nova. No passado, o governo de Donald Trump já havia aumentado as taxas sobre aço e alumínio, impactando diretamente o setor siderúrgico de grandes parceiros comerciais como Canadá e México, além do Brasil, que é o segundo maior fornecedor de aço aos EUA.
De acordo com o MDIC, durante o primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 17,4 bilhões, refletindo uma queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. As importações brasileiras de produtos norte-americanos também mostraram uma diminuição de 12,8% na corrente de comércio bilateral.
Este cenário reflete um ambiente de incerteza crescente em torno da política comercial dos Estados Unidos, marcado pelo aumento do uso de tarifas, medidas restritivas e frequentes alterações nas condições de acesso ao mercado americano.
A respeito das novas tarifas, o governo brasileiro definiu a medida como “arbitrária e injustificada” e anunciou que irá iniciar os trâmites para acionar instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, também levando o assunto à Organização Mundial do Comércio.
A Lei de Reciprocidade permite ao Brasil aplicar medidas equivalentes a sanções ou tarifas impostas por outro país, com o objetivo de reequilibrar as relações comerciais e proteger a economia nacional. No entanto, setores empresariais sugerem que o Brasil busque negociações em vez de uma retaliação direta, para evitar o aumento das tensões com o governo dos EUA.
Embora exista a decisão de implementar a Lei de Reciprocidade, deve haver um processo a ser seguido, incluindo consultas públicas e prazos para análise das propostas.
Com informações de g1.globo.com.









