A ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, fez declarações preocupantes sobre a independência do Federal Reserve (Fed) e a possível dominância fiscal nos Estados Unidos. Em uma entrevista, Yellen mencionou que o ex-presidente Donald Trump tem tentado minar essa autonomia do banco central, destacando que a pressão da Casa Branca sobre o Fed é alarmante.
Yellen ressaltou que, apesar de o Fed continuar a funcionar de forma independente e não haver sinais claros de interferência direta nas decisões de política monetária, a preocupação com a pressão exercida pela administração atual a angustia. Ela acredita que Trump realmente busca enfraquecer a independência do Fed.
A economista se referiu a uma série de ataques direcionados ao banco central durante a presidência de Trump, que inclui pressões para cortes nas taxas de juros e críticas às decisões tomadas por Jerome Powell durante seu mandato.
Desde a chegada de Kevin Warsh à presidência do Fed, Trump não fez críticas similares ao novo comandante. Warsh, em sua primeira reunião no Comitê Federal de Mercado Aberto, reafirmou o compromisso com a meta de inflação de 2% e adotou uma estratégia conservadora em relação às taxas de juros, limitando os direcionamentos futuros.
Risco de Dominância Fiscal
Yellen expressou que o problema se estende além das divergências sobre juros. Um aspecto crítico é a erosão das instituições que garantem a autonomia do Fed. Ela mencionou que, embora a Suprema Corte tenha mantido o status especial do Federal Reserve, Trump continua tentando aumentar sua influência sobre a entidade, o que poderia afetar sua credibilidade.
A alertar para o fenômeno da dominância fiscal, Yellen explicou que a possibilidade de a política monetária ser conduzida por necessidades fiscais do governo é crescente. Essa situação ocorre quando o alto endividamento do país limita a atuação do banco central, levando a uma pressão para manter as taxas de juros artificialmente baixas. A economista observou que elementos que precedem esse fenômeno já estão presentes.
Por exemplo, Trump manifestou preocupação com os custos da dívida pública, o que é um indicativo de como a dominância fiscal pode se iniciar. Entretanto, Yellen acrescentou que esse cenário ainda não se concretizou, já que o Federal Reserve continua tomando decisões de forma independente, embora o risco tenha aumentado.
Dívida Elevada e Preocupações Fiscais
Yellen também criticou a trajetória das finanças públicas dos Estados Unidos, chamando a atenção para o déficit primário de cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) e um déficit total, incluindo juros, em torno de 6% do PIB, valores geralmente associados a situações extremas, como guerras ou crises profundas. Com o aumento dos juros, o custo da dívida se tornou uma preocupação significativa.
Ela prevê que, se nenhuma medida for tomada, a relação entre a dívida e o PIB poderá chegar a cerca de 120% nos próximos anos, devido a fatores como o envelhecimento da população e a falta de consenso político para reduzir o déficit orçamentário.
Para Yellen, ainda há espaço para estabilizar as contas do governo, mas o tempo é um fator crucial. “Precisamos começar logo para colocar a dívida em uma trajetória sustentável”, destacou.
A situação nos Estados Unidos é de interesse global, uma vez que a independência do Federal Reserve é vista como um pilar fundamental da estabilidade financeira mundial. Decisões do Fed impactam não apenas a economia americana, mas também o mercado internacional, influenciando taxas de juros, moeda e os fluxos de capital.
Com informações de forbes.com.br.









