O delegado Henry Galdino, da Polícia Civil do Distrito Federal, que lidera a investigação sobre a fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda., revelou que o esquema que resultou no desaparecimento de quase R$ 1 bilhão dos investidores foi meticulosamente planejado ao longo de um ano. Em conversa, Galdino destacou que ainda não é possível determinar se o esquema operava como uma pirâmide financeira, mas a interrupção súbita nos pagamentos aos clientes foi orquestrada. “Essa paralisação não foi um mero desacordo comercial. Havia um planejamento por trás disso, que seguimos apurando”, explicou.
As investigações indicam que o planejamento para a evasão dos recursos começou há pelo menos um ano. Sobre os bens apreendidos durante a operação que resultou na prisão de três sócios, o delegado afirmou que ainda não é viável calcular o valor total nem garantir que esses ativos serão suficientes para indenizar os investidores prejudicados.
Possíveis ressarcimentos
Galdino assegurou que a equipe está trabalhando diligentemente para recuperar parte do montante desaparecido. “Estamos bloqueando muitos ativos e seguimos em busca do restante do dinheiro e de outros bens. Nosso objetivo é minimizar o sofrimento das pessoas afetadas”, afirmou. A colaboração com o Ministério Público também está sendo fundamental nesta busca por ressarcimento.
O delegado ainda alertou os investidores para que desconfiem de promessas muito vantajosas: “Sempre que prometerem retornos acima da média do mercado, é preciso ficar atento”, ressaltou.
Após as prisões, nenhum dos sócios se manifestou, optando pelo silêncio. Galdino comentou que seria importante esclarecer como o esquema foi estruturado. “Sem os depoimentos deles, teremos que contar com outros elementos, como apreensões de celulares e documentos”, disse. Ele indicou que Rogério, um dos presos, aparenta ter mais influência sobre o grupo.
A investigação também está apurando possíveis vínculos de Douglas Silva de Oliveira no caso, mas até o momento, não foram encontrados indícios concretos de sua participação.
A Naskar Gestão de Ativos
- A Naskar era uma fintech com 13 anos de operação, prometendo retornos de 2% ao mês, substancialmente superiores ao que é praticado pelo mercado.
- Por exemplo, um investimento de R$ 1 milhão geraria R$ 20 mil mensais, enquanto a empresa cuidava do patrimônio.
- Apesar da promessa atrativa, os clientes não enfrentaram problemas até que os pagamentos previstos para 4 de maio não foram efetuados.
- Após várias tentativas de contato, o aplicativo da fintech parou de operar no dia 6 de maio e não voltou ao ar desde então.
- Recentemente, a Naskar teve sede em São Paulo, mas não informou os clientes sobre mudanças de localização.
- Cinco dias depois da falta de pagamentos, a empresa anunciou que seria adquirida por uma empresa norte-americana, mas essa transação não se concretizou como prometido.
- Inconsistências foram encontradas em relação à nova empresa, incluindo um site que não apresenta informações claras sobre seus diretores.
- Douglas Silva de Oliveira fez promessas de pagamento, mas ainda não há garantias de retorno para os investidores.
Com informações de metropoles.com.









