
Endemia do inseto maruim afeta Luiz Alves, em Santa Catarina
O maruim, um mosquito de até três milímetros que provoca irritação e coceira na pele, está gerando preocupações entre os moradores de Ilhota, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. De acordo com informações do portal g1.globo.com, a prefeitura anunciou na quarta-feira (8) que está implementando medidas para lidar com a situação.
Identificado cientificamente como Culicoides paraensis, o maruim é significativamente menor do que o mosquito da dengue, sendo aproximadamente 12 vezes menor, e 20 vezes menor que o pernilongo comum, Culex quinquefasciatus, conforme dados do Ministério da Saúde.
O professor de ecologia e zoologia Luiz Carlos de Pinha, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), afirmou que a picada do maruim não só causa irritação, mas também representa risco de transmissão de doenças, como a Febre do Oropouche, semelhante a outras doenças transmitidas por mosquitos.
Pinha explicou que, assim como os mosquitos causadores da dengue e da malária, apenas as fêmeas do maruim picam, utilizando a alimentação do sangue como suplemento para a produção de ovos. A proliferação do inseto ocorre em ambientes com grande quantidade de matéria orgânica em decomposição, com as fêmeas depositando seus ovos em locais úmidos e ricos em matéria orgânica, como mangues e pântanos.
Além do desconforto causado por suas picadas, que resultam em ardência na pele, o aumento da população de maruins pode ocasionar a transmissão de patógenos, afetando majoritariamente a pecuária, com surtos de doenças que podem impactar bovinos e equinos.
Em humanos, a Febre do Oropouche apresenta sintomas que se assemelham aos da dengue e da chikungunya, como dor de cabeça, muscular, nas articulações, náuseas e diarreias, o que pode dificultar os diagnósticos clínicos. Até o momento, não existe tratamento específico para a febre; o repouso, o tratamento sintomático e o acompanhamento médico são recomendados.
Declarações da prefeitura de Ilhota:
A prefeitura informou que o processo de contratação de empresas para o controle do inseto ainda está em andamento. Notou-se, até agora, que há apenas uma empresa com metodologia apropriada para o combate ao maruim, que pode ser a mesma já atuante em Luiz Alves, reconhecida por sua atuação nesse combate.
Além disso, fatores climáticos, como a presença de água e matéria orgânica, têm contribuído para o aumento da proliferação do maruim, acentuada por atividades agrícolas locais, como cultivo de banana e arroz, que favorecem sua reprodução.



