
De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, um grupo de empresários e trabalhadores de 67 associações emitiram um ofício ao presidente Lula, expressando sua oposição ao possível cancelamento da conhecida “taxa das blusinhas”. Essa possibilidade foi mencionada por Lula em recente entrevista, quando ele afirmou que a medida está sendo avaliada e pode ser anunciada em breve.
Os signatários do ofício caracterizam a intenção de abolir a “taxa das blusinhas” como uma ação “eleitoreira”. Esta taxa foi instituída pelo Congresso, com o suporte do Ministério da Fazenda, em resposta às queixas de empresários sobre a grande quantidade de produtos chineses de baixo custo sendo importados para o Brasil. Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), salientou que a política defendida é a de igualdade tributária e regulatória, destacando a importância de não incentivar a importação de bens que já recebem subsídios significativos em seus países de origem, como a China. Pimentel enfatizou que essa prática prejudica a indústria local, os investimentos, a criação de empregos e, consequentemente, a geração de renda no Brasil. Ele ainda acrescentou que a indústria nacional atende diversos perfis de consumidores e que, se houver interesse, também é viável a redução de taxas e impostos para quem investe e produz no Brasil.
Os empresários e líderes sindicais que assinaram o documento sustentam que a implementação do programa Remessa Conforme resultou em um aumento de empregos nas áreas beneficiadas e que a arrecadação governamental também cresceu. Este programa estabelece uma tributação de 20% sobre importações via compras internacionais de até US$ 50, além de uma taxa de 17% de ICMS.
Além disso, alegam que, apesar da redução inicial nas importações no seu patamar de até US$ 50, essas já retornaram aos níveis anteriores. As expectativas do setor varejista e industrial são de um aporte de R$ 100 bilhões neste ano. No entanto, a continuidade desse investimento poderia estar em risco caso haja um retrocesso nas conquistas rumo à igualdade tributária. Em contrapartida, o cancelamento da “taxa das blusinhas” não resultaria em novos investimentos no país, uma vez que plataformas internacionais até hoje não realizaram grandes aportes no Brasil, mesmo tendo gerado receitas significativas – estimadas em R$ 40 bilhões entre 2023 e 2025.
Dentro do governo, as pastas da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio se manifestam contrárias à proposta de extinção da taxa. Entretanto, parte da ala política busca seu fim como uma estratégia para melhorar a popularidade do presidente Lula entre os eleitores. Após a menção de Lula sobre a possibilidade de cancelar a taxa, o governo esclareceu que ainda não há decisões tomadas, especialmente após a pressão dos empresários.
Vale destacar que a popular loja de “blusinhas” online, Shein, inaugurou uma unidade temporária em Fortaleza.
Divulgação. Fonte: g1.globo.com.



