Após meses de aumento nas previsões para a inflação, o mercado começou a inverter essa tendência. Nessa última semana, os economistas consultados pelo Banco Central reduziram a estimativa para o IPCA de 2026, passando de 5,30% para 5,16%. Essa mudança representa uma queda de 0,17 ponto percentual em apenas duas semanas.
Essa revisão das expectativas é influenciada por uma combinação de fatores. Entre eles, estão indicadores econômicos mais positivos, sinais de desaceleração da atividade econômica e a percepção de que os juros altos começam a ter o efeito desejado sobre a demanda. Contudo, o mercado continua cauteloso, pois o principal fator de risco agora é o cenário internacional.
O ponto de virada se deu com o IPCA de junho, que teve um aumento de apenas 0,16%, bem abaixo da expectativa de 0,31% do mercado e muito menor do que os 0,58% de maio. André Braz, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que essa queda ocorreu em várias categorias de produtos, como alimentos e bens industriais. Apesar disso, a inflação de serviços ainda merece atenção.
A tendência de queda nas projeções começou antes, com dados do IPCA-15 sinalizando uma perda de força da inflação e os índices gerais de preços (IGPs) apresentando deflação no atacado, antecipando mudanças nos preços ao consumidor.
Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, destaca que a composição do IPCA mostrou resultados positivos, indicando uma possível acomodação dos preços para os próximos meses, uma vez que os IGPs mostram deflação nos preços ao produtor.
Outro aspecto que impacta as previsões é a desaceleração gradual da economia, com indicadores de atividade e de mercado de trabalho mostrando um esfriamento após um ano de juros altos.
Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos, afirma que os sinais de desaceleração ajudam a desenhar um cenário favorável a cortes nos juros, considerando que a inflação está mais controlada do ponto de vista doméstico. Essa expectativa fez com que parte do mercado voltasse a discutir o início de cortes graduais na Selic, atualmente em 14,25% ao ano, desde que os riscos externos se mantenham sob controle.
Nas últimas semanas, o foco das preocupações mudou do cenário inflacionário interno para fatores externos. A principal incerteza agora é o mercado internacional de petróleo, que se acirrou com a escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã, fazendo o preço do barril de Brent subir para cerca de US$ 80. André Matos, CEO da MA7 Negócios, alerta que a inflação de junho não refletiu essa alta recente do petróleo, o que pode impactar os preços de combustíveis e logísticas globalmente.
A Coface também revisou suas expectativas para a inflação, observando que a queda nas tensões geopolíticas e a surpresa do IPCA de junho levaram a uma revisão das projeções. Porém, os riscos permanecem altos, especialmente para 2027, com revisões para cima consecutivas, indicando que o mercado ainda não acredita na convergência da inflação para a meta desejada.
Além disso, a inflação acumulada em 12 meses permanece em 4,64%, acima do teto da meta do Banco Central. Isso reflete um cenário que, embora mais favorável, ainda não é suficiente para que a autoridade monetária baixe a guarda.
Em resumo, embora o mercado comece a reduzir suas projeções de inflação, esse movimento estará fortemente ligado a eventos fora do Brasil.
Com informações de forbes.com.br.








