
A Polícia Federal (PF) desarticulou um esquema de fraude em previdência complementar ligado à Fundação Celos, que administra os fundos de aposentadoria da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). A investigação, desencadeada nesta quarta-feira, 8 de abril, revelou que aposentadorias dos servidores foram investidas em fundos de alto risco e baixa qualidade, resultando em um rombo de R$ 365 milhões.
O foco principal da operação é um ex-diretor financeiro da fundação, que não teve o nome divulgado. Segundo o delegado Christian Barth, 36 imóveis foram adquiridos por uma empresa de familiares do responsável pelas aplicações, durante o período em que os investimentos foram realizados. Barth destacou que a empresa em questão não tinha capacidade financeira para tal compra, configurando indícios de lavagem de dinheiro, em que os valores das fraudes foram ocultados por meio de uma empresa de fachadas.
A Celos informou que a ação da PF investiga decisões de gestão entre 2004 e 2011 e assegurou que a atual diretoria não está envolvida nas suspeitas. Nesta manhã, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em Florianópolis e sequestraram mais de 30 imóveis, além de bloquear valores que podem chegar a R$ 365 milhões.
A Celesc, uma sociedade de economia mista controlada pelo governo de Santa Catarina, oferece previdência complementar de forma facultativa, desvinculada do INSS, permitindo aos servidores acumular recursos para aposentadoria. A operação, intitulada “Sem Lastro”, visa interromper o fluxo financeiro ilícito e resguardar recursos para um eventual ressarcimento.
A Fundação Celos esclareceu que as investigações se referem a operações executadas há mais de 15 anos e não têm nenhuma relação com a atual carteira de investimentos. Ela também afirmou que colabora com as autoridades competentes.
A fraude consistia na aplicação de recursos em ativos que, embora aparentassem gerar prejuízo, eram usados como um meio para desvio de recursos. Assim que o dinheiro era aplicado, ocorriam manobras financeiras para ocultar a origem, levando a PF a identificar um crescimento patrimonial desproporcional do responsável por essas aplicações. A compra de imóveis em nome de empresas serviu para esconder o patrimônio, o que, segundo a investigação, revela pagamentos de vantagens indevidas aos gestores envolvidos.



