A Infracommerce (IFCM3) anunciou a venda de créditos judiciais de suas controladas ao Fiscus Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) por um total de R$ 20 milhões. Com essa ação, a companhia conseguiu antecipar valores de créditos que estavam relacionados a processos judiciais ainda em aberto, transformando ativos incertos em recursos disponíveis imediatamente. O valor final da operação deverá considerar as condições estipuladas nos contratos oficiais.
Essa prática é comum no mercado de crédito estruturado, onde empresas transferem créditos – neste caso, originados de disputas judiciais – para fundos especializados. Em troca, a Infracommerce recebe recursos de imediato, embora geralmente com um desconto em relação ao potencial total que poderia ser recuperado futuramente. Essa decisão demonstra uma preferência pela liquidez atual em vez de esperar pelos recebimentos futuros.
Continua a prioridade no caixa
O movimento reforça uma estratégia adotada após a crise financeira que se intensificou em 2024. Naquele ano, a empresa registrou uma baixa contábil de aproximadamente R$ 1,4 bilhão, evidenciando a perda de valor em ativos adquiridos anteriormente. Logo em seguida, acertou um acordo com seus principais bancos credores para reestruturar cerca de R$ 641 milhões em dívidas.
A operação foi planejada de forma a reduzir a alavancagem sem recorrer à recuperação judicial. O desfecho envolveu a liquidação de cerca de R$ 420 milhões com a transferência de 83,6% da New Retail Limited, que concentra as operações na América Latina, para os credores. O restante, cerca de R$ 221 milhões, foi convertido em debêntures com vencimento de cinco anos.
Depois dessa reestruturação, a Infracommerce continuou a utilizar instrumentos financeiros para reorganizar sua estrutura de capital. Em janeiro de 2026, a companhia aprovou um aumento de capital de R$ 11,7 milhões, transformando créditos da GB Securitizadora. Em março, uma nova capitalização privada de aproximadamente R$ 4,8 milhões foi realizada, envolvendo créditos de Sellers da Ecomsur.
A venda de créditos agora segue um caminho diferenciado. Ao invés de transformar credores em acionistas, a empresa monetiza ativos existentes para fortalecer o caixa.
O que os FIDCs buscam com esses créditos
Os FIDCs são especialistas na aquisição de recebíveis de várias naturezas, incluindo judiciais. Ao comprar créditos judiciais, o fundo assume o risco de recuperação dos valores. Se conseguir receber mais do que o que pagou, obtém lucro para seus cotistas. Para a Infracommerce, essa transação possibilita a antecipação de recursos que poderiam demorar anos para se converter em caixa. Assim, o FIDC troca a incerteza e a espera por uma liquidez imediata.
Alterações para os investidores
Diferentemente das transações realizadas nos últimos dois anos, essa nova operação não irá mudar a estrutura de capital da empresa. Isso significa que:
- não haverá emissão de novas ações;
- os acionistas atuais não sofrerão diluição;
- a operação não altera os direitos econômicos ou políticos das ações em circulação.
A Infracommerce, ao longo de sua reestruturação, passou a converter créditos em participação acionária, reduzindo a fatia de investidores existentes. Agora, trata-se da venda de um ativo registrado no balanço, sem envolver o patrimônio líquido da empresa.
Significado da operação
Os R$ 20 milhões representam um valor relativamente pequeno quando comparado com os valores em discussão durante a reestruturação financeira de 2024. Contudo, essa transação é significativa pois demonstra que a companhia continua focada na geração de caixa e na otimização do balanço.
Em vez de buscar recursos no mercado através da emissão de ações ou do aumento da dívida, a Infracommerce optou por monetizar ativos que não eram parte central de sua operação. Essa mudança de foco sugere um novo momento: enquanto as movimentações passadas tiveram como objetivo principal reestruturar passivos e reorganizar a estrutura societária, agora a prioridade está na administração do caixa e da liquidez no curto prazo, preservando a participação dos acionistas atuais.
Com informações de forbes.com.br.









