Os Estados Unidos confirmaram a implementação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, e assessores do governo Lula descreveram a decisão como “ideológica” e “política”. Eles avaliaram que essa medida seria uma tentativa equivocada de apoiar Flávio Bolsonaro, do PL. Em resposta, o governo brasileiro refutou as alegações de que não houve negociação sobre as tarifas.
Os membros da administração Lula acreditam que a decisão de impor as tarifas já havia sido tomada desde o ano passado, quando Donald Trump enviou uma carta ao presidente Lula. O anúncio oficial ocorreu no dia 15 de agosto, último prazo dado pelo governo dos EUA para que os dois países chegassem a um acordo nas negociações.
O governo brasileiro classificou a decisão americana como “lastimável” e informou que iniciará imediatamente os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, regulamentada por um decreto assinado por Lula em 2025. De acordo com a equipe presidencial, o governo Trump agiu de má-fé ao afirmar que o Brasil não se dispôs a negociar, criando um discurso alinhado com as posições do pré-candidato Flávio Bolsonaro.
Flávio já comentou que Lula não quis negociar e agiu contra os interesses do Brasil. A diplomacia brasileira analisa que, em um contexto em que a Suprema Corte dos EUA limitou a imposição de tarifas, a Casa Branca procurou alternativas para justificar a cobrança, utilizando argumentos que o governo brasileiro considera injustos e sem fundamentação técnica.
A situação tinha se mostrado promissora após encontros entre Lula e Trump, tanto na Malásia quanto em Washington. Contudo, a mudança de panorama ocorreu após o encontro de Flávio Bolsonaro com Trump, quando as negociações começaram a esfriar. Embora reuniões de alto nível e reuniões técnicas tenham ocorrido recentemente, os americanos não responderam às propostas feitas pelo Brasil e apresentaram questões consideradas “inegociáveis”, como alterações no sistema de pagamentos PIX.
No Itamaraty, é negada a versão de que o Brasil não manifestou interesse nas negociações, como alegado pelo USTR, órgão americano responsável pelo comércio e que recomendou a implementação da tarifa. Ao todo, foram mais de 30 contatos, incluindo reuniões presenciais, virtuais e por telefone, entre o governo brasileiro e autoridades americanas desde o anúncio das tarifas.
Com informações de g1.globo.com.









