A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre importações brasileiras, que começa a valer em 22 de julho, vai impactar menos produtos do que se esperava inicialmente. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) divulgou na última quinta-feira (16) uma versão final da medida, retirando mais de 2.100 itens da sobretaxa após considerar contribuições de empresas e associações durante audiências públicas realizadas em julho.
O USTR explicou que a tarifa foi resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que avaliou práticas brasileiras em comércio digital, serviços financeiros, propriedade intelectual, entre outros aspectos, que foram consideradas prejudiciais ao comércio e à competitividade de empresas americanas.
O processo envolveu um ano de discussões, incluindo duas audiências públicas, que resultaram em mais de 360 manifestações de diferentes setores. Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, afirmou que a proteção dos interesses econômicos americanos é fundamental, mas que o país está aberto a negociações se o governo brasileiro fizer ajustes nas áreas problemáticas.
Embora a tarifa permaneça, Washington ampliou a lista de isenções, que agora inclui produtos estratégicos para a economia brasileira e para as cadeias produtivas nos EUA. Além do café, carne bovina e suco de laranja, itens como mel orgânico e tilápia foram adicionados, reconhecendo a dependência americana desses produtos.
Adicionalmente, a indústria metalúrgica se beneficia com a exclusão de insumos como o ferro-gusa, crucial para as fundições americanas. Em relação ao agronegócio, o café solúvel e o mel orgânico também foram poupados, devido à baixa produção interna e à alta dependência desses itens no mercado americano.
Medicamentos, vacinas e produtos químicos essenciais para o sistema de saúde americano também estão entre os itens isentos. Além disso, vários minerais, combustíveis e produtos eletrônicos, como smartphones e computadores, foram incluídos na lista de exceções.
A sobretaxa de 25% entrará em vigor em 22 de julho, mas não será aplicada às mercadorias que já estiverem em trânsito para os EUA até essa data. O USTR indicou que as medidas poderão ser revistas se o Brasil corrigir as práticas que não estão em conformidade com as regras comerciais dos Estados Unidos.
Produtos isentos da tarifa de 25% dos EUA
- Carne bovina fresca, refrigerada e congelada
- Café solúvel e em grão
- Laranja e suco de laranja
- Mel orgânico certificado
- Tilápia e outros pescados
- Minerais, como minério de ferro e cobre
- Petróleo e gás natural
- Medicamentos e ingredientes farmacêuticos
- Máquinas e equipamentos industriais
- Computadores, notebooks e smartphones
Com informações de forbes.com.br.





