Belo Horizonte – O trágico assassinato a facadas do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da empresária aposentada Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, chocou a comunidade ao transformar um apartamento de alto padrão no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, em cenário de um dos crimes mais brutais do ano.
No início da manhã de segunda-feira, o filho do casal entrou em contato com os pais para convidá-los a assistir a um jogo da seleção. Mais tarde, o cunhado fez o mesmo convite, mas Cláudio informou que não poderia comparecer porque aguardava uma diarista, a qual era nova na casa e merecia confiança total.
O casal foi encontrado morto no apartamento na tarde de terça-feira, pelo filho, Felipe Atala Inácio, que usou a chave da família para entrar no local. Em menos de 24 horas, a Polícia Civil de Minas Gerais identificou uma suspeita, recuperou objetos furtados e começou a consolidar provas que indicam que o crime se tratou de um latrocínio — um roubo seguido de morte.
A mulher de 30 anos segue foragida com o filho de 6 anos, enquanto os investigadores buscam esclarecer pontos cruciais sobre a dinâmica do crime e a possível atuação de outros envolvidos.
Uma ação brutal
Com base nas evidências, a principal linha de investigação aponta para um latrocínio. O delegado Felipe Freitas destacou a extrema violência do crime, onde Maria Clotilde foi atacada com sete facadas e Cláudio sofreu 17 golpes, evidenciando a intenção da autora em eliminar as vítimas para concretizar o roubo.
Joias, relógios e eletrônicos foram levados do apartamento, com parte dos bens recuperados durante as investigações. A suspeita teria entrado no edifício para trabalhar como diarista e, após cerca de oito horas, teria deixado o local vestindo roupas diferentes, portando sacolas que continham objetos do casal.
Uma cena impactante
A cena do crime impressionou até policiais experientes, que relataram a brutalidade da situação. As vítimas provavelmente foram surpreendidas enquanto dormiam, aumentando a suspeita de que não tiveram chance de se defender.
As facas usadas no crime podem ter pertencido à própria residência, o que indicaria um planejamento pela autora — que teria tido tempo para se limpar e organizar sua fuga após os homicídios.
Rastros da suspeita
As investigações permitiram traçar parte do caminho realizado pela suspeita após o crime, incluindo a recuperação de objetos levados do apartamento e celulares do casal, que foram encontrados em um local diferente, embrulhados para dificultar o rastreio.
Embora a polícia tenha suas suspeitas definidas, continuam as investigações sobre a possível participação de comparsas. Imagens de câmeras mostraram um carro de alto padrão nas proximidades do local crime, levantando a hipótese de que a autora poderia ter recebido ajuda na execução ou na fuga.
Questões financeiras
Outro ponto em análise é a situação financeira da suspeita, que, segundo relatos, enfrentava dívidas significativas, chegando a levantar quantias consideráveis pela família para quitar débitos com agiotas. Investigações estão em andamento para determinar se essa situação pode ter sido um fator motivacional para o crime.
Como a suspeita teve acesso ao casal?
A diarista foi recomendada por um parente muito próximo do casal, e a polícia não encontrou indícios de que essa pessoa tivesse qualquer envolvimento no crime. A suspeita foi indicada na sexta-feira antes do crime, e não havia relatos de problemas com seu trabalho anterior.
Mudanças não realizadas
Cláudio e Maria Clotilde estavam prestes a iniciar uma nova fase em suas vidas, com a mudança programada para uma nova casa em Serra, na região Centro-Sul da capital, após cerca de 20 anos residindo no mesmo apartamento.
Interrogações persistentes
Apesar da identificação rápida da principal suspeita, diversas questões ainda precisam de resposta:
- A diarista agiu sozinha ou teve apoio?
- Quem estava dirigindo o carro de alto padrão aguardando próximo ao local?
- Houve apoio de receptadores na venda dos bens furtados?
- Qual foi a exata sequência dos assassinatos?
- Para onde a suspeita fugiu após deixar Ribeirão das Neves?
A Polícia Civil continua buscando esclarecer todos os pontos e, enquanto os trabalhos seguem, a mulher pode ser presa em flagrante a qualquer momento. Caso não seja encontrada, um pedido de prisão preventiva será solicitado. Familiares aguardam respostas para um crime que devastou uma família e deixou a comunidade em estado de choque.
Com informações de metropoles.com.








