A Fifa está se preparando para uma transformação estrutural com o objetivo de expandir sua capacidade comercial no futebol global e aumentar os recursos destinados às federações nacionais. A entidade está considerando a criação de uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões, onde uma participação minoritária poderia ser vendida a investidores de longo prazo.
A nova empresa, chamada FIFA Forward Enterprise (FFE), integraria as operações comerciais e de eventos da Fifa, abarcando direitos de transmissão, patrocínios, vendas de ingressos, licenciamento e a gestão operacional de torneios. A Fifa assegura que manterá o controle sobre a subsidiária e continuará com autoridade exclusiva nas decisões referentes à governança do futebol, competições, calendário internacional e questões regulatórias.
A proposta foi apresentada recentemente e ainda precisa ser aprovada. A criação da FFE depende do apoio da maioria das 211 federações filiadas à entidade e da autorização necessária do Conselho da Fifa. Caso avance, a nova estrutura poderá gerar até US$ 4,2 bilhões ainda neste ano por meio da venda de participações minoritárias.
Representantes da Fifa estão em parceria com banqueiros do J.P. Morgan para atrair investidores, que poderão adquirir até 20% da nova entidade.
Uma subsidiária para transformar popularidade em receita
A proposta surge da percepção de que, apesar de o futebol ser o esporte mais popular do planeta, ainda existe espaço para melhorar a captura do valor comercial das competições. A ideia foi apresentada após uma fala do presidente da Fifa, Gianni Infantino, ao Conselho da entidade e às federações no dia anterior à final da Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá em Nova York.
Infantino ressaltou que a Fifa deseja “destravar o potencial comercial” que possui. Ele já havia discutido essa ideia no Congresso da Fifa em Vancouver, no mês de abril. Para o presidente, o crescente destaque do futebol deve se traduzir em benefícios mais amplos: “O futebol é um motor extraordinário de desenvolvimento humano e social”, comentou, enfatizando que o desafio é fazer com que todo o futebol se beneficie dessa força.
A FFE será a estrutura destinada a essa evolução. Reunindo áreas comerciais e operacionais de forma centralizada, a Fifa acredita que essa abordagem focada irá potencializar receitas e atrair investimentos sem interferir no comando esportivo da instituição.
Fifa diz que manterá controle
Apesar da entrada de investidores, a Fifa esclarece que sua estrutura central de poder permanecerá inalterada. Assim, os investidores terão participação minoritária, sem direito a controle ou funções operacionais. A Fifa manterá a maioria no conselho da FFE e continuará com a responsabilidade das decisões esportivas, que incluem competições, calendário e regras do futebol.
A entidade pretende escolher investidores com base em critérios que priorizem longo prazo, boa governança e estratégia, buscando formar um grupo geograficamente diversificado, com contribuições financeiras e de experiência comercial de diversas regiões do mundo.
Thrive Eternal e Greg Maffei no radar
A Thrive Eternal, uma companhia de capital permanente, pode liderar o grupo de investidores proposto para a FFE, caso a proposta seja aprovada. Recentemente, essa empresa adquiriu uma participação no San Francisco Giants, da Major League Baseball, e foi fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner. Bob Iger, ex-presidente-executivo da Disney, atua como consultor.
Greg Maffei, ex-presidente e CEO da Liberty Media e que participou da aquisição e gestão da Fórmula 1, também está envolvido como consultor comercial da nova empresa da Fifa, e deverá continuar contribuindo na próxima fase da FFE.
Com informações de forbes.com.br.








