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Cenipa recria dinâmica do voo que causou 62 mortes em 2024

O Cenipa divulgou o relatório final sobre o acidente do voo 2283 da Voepass, que resultou na morte de 62 pessoas, apontando que a aeronave não deveria ter decolado devido a falhas técnicas e questões de procedimento. O relatório identifica 19 fatores que contribuíram para a tragédia, mas não atribui responsabilidades.

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Reprodução/VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresentou, no último dia 23 de agosto, um vídeo que recria os momentos finais do voo 2283 da Voepass, que tragicamente caiu em Vinhedo, São Paulo, em agosto de 2024, resultando em 62 óbitos.

Essa queda é considerada a maior tragédia aérea do Brasil desde 2007 e ocorreu durante o trajeto entre Cascavel, Paraná, e Guarulhos, São Paulo. Ao todo, 62 pessoas estavam a bordo, incluindo 58 passageiros e quatro tripulantes.

Aeronave não deveria ter decolado, aponta relatório

Durante a investigação, o Cenipa fez diversas perícias a fim de desvendar a sequência de eventos que culminaram na queda do avião. Equipamentos cruciais para o funcionamento da aeronave foram minuciosamente avaliados, incluindo a análise das luzes dos painéis de comando, que ajudaram a entender as circunstâncias do acidente.

De acordo com o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, investigador do Cenipa, o relatório indicou que a aeronave não deveria ter decolado em um horário em que as previsões meteorológicas eram de chuva, especialmente considerando uma falha no sistema do limpador de para-brisa.

O relatório ainda revelou que os pilotos estavam discutindo assuntos pessoais durante o voo e não acionaram o sistema de degelo da aeronave, mesmo com avisos emitidos pelos equipamentos de bordo. Outro ponto destacado foi a “cultura de normalização de desvios” nos procedimentos operacionais da Voepass, uma prática que, segundo o Cenipa, favoreceu o cenário anterior ao acidente.

A Voepass, em nota, afirmou que se manifestará apenas após ter acesso completo ao relatório final da investigação.

Relatório não aponta culpados, mas cita 19 pontos

O Cenipa esclareceu que sua investigação possui caráter preventivo e não atribui responsabilidades civis ou criminais. Em vez disso, o foco é identificar fatores que contribuíram para o acidente e oferecer recomendações para melhorar a segurança na aviação.

No total, foram identificados 19 fatores que tiveram relação com o acidente, como:

  • Aplicação dos comandos
  • Atenção
  • Atitude
  • Capacitação e treinamento
  • Condições meteorológicas adversas
  • Coordenação de cabine
  • Cultura do grupo de trabalho
  • Cultura organizacional
  • Estado emocional
  • Influências externas
  • Julgamento de pilotagem
  • Manutenção da aeronave
  • Percepção
  • Planejamento de voo
  • Processo decisório
  • Processos organizacionais
  • Projeto
  • Supervisão gerencial
  • Outro / Atuação da ANAC

As investigações sobre possíveis responsabilidades ainda podem ser conduzidas por outras entidades, como a Polícia Federal, o Ministério Público e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Com informações de metropoles.com.

TAGS: Segurança

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Advogado, autor, professor e palestrante focado na transformação digital da sociedade. Especializado em Direito Civil e atuante no Direito Digital e Empresarial.

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