O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, não hesitou em rebater as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Ele classificou essa decisão como “injusta e descabida”.
Alckmin argumentou que, ao analisar os dados dos últimos 15 anos, os EUA apresentaram um superávit na balança comercial com o Brasil. “Essa medida é descabida, já que a argumentação utilizada não se baseia em fatos reais e carece de justificativa”, declarou.
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) confirmou a implementação de um novo “tarifaço”, que começará em 22 de julho. Essa decisão é fruto de uma investigação de um ano, amparada pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite ações contra barreiras comerciais de outros países.
Segundo o USTR, as novas tarifas são resultado de práticas brasileiras que, de acordo com a análise americana, são injustificáveis e limitam a competitividade de produtores e exportadores dos EUA. Entre os pontos destacados estão questões como corrupção, tratamento desigual na política de tarifas, proteção inadequada à propriedade intelectual e desmatamento.
Além de Alckmin, participaram da coletiva de imprensa os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Duringan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e João Paulo Capobianco (Meio Ambiente), além de autoridades do Banco Central e da Secretaria Nacional de Justiça.
A nova tarifa se aplicará a diversos produtos, mas uma lista extensa de itens, incluindo carne bovina e café, está isenta da sobretaxa. O governo brasileiro protestou contra a medida, afirmando que esta não possui embasamento econômico e parece refletir motivações políticas. A administração de Lula chamou a decisão de “marco lastimável” nas relações entre os dois países, indicando a possibilidade de acionar a Lei de Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil retaliar com medidas semelhantes as sanções que sofreu.
O governo brasileiro também reafirmou que os argumentos apresentados pelos EUA não se sustentam e destacou os esforços feitos nos últimos tempos para evitar a aplicação dessas tarifas.
Com informações de g1.globo.com.






