O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, pode precisar ajustar as taxas de juros “no curto prazo”, caso os próximos dados indiquem que a inflação continua acima da meta de 2%. Essa análise foi destacada pelo diretor Christopher Waller em um evento da Associação de Economia Empresarial de Nova York.
Waller mencionou que o próximo relatório de inflação ao consumidor, programado para ser divulgado, será crucial para determinar os próximos passos da política monetária, enfatizando que o Fed não pode ser “indiferente” caso os dados sugiram uma situação preocupante.
“Esperar a inflação derreter diante de nós não é uma opção”, afirmou ele, arrancando risadas dos economistas presentes. A fala de Waller ocorre em um contexto em que o conflito militar entre os EUA e o Irã pode elevar os preços do petróleo, criando novas incertezas econômicas.
Embora exista a expectativa de que a inflação possa cair para a meta de 2% sem mudanças na política monetária, o diretor também expressou preocupações de que os próximos dados possam indicar uma inflação persistente ou em alta, o que exigiria uma abordagem mais rigorosa. “Estamos em um momento onde não podemos ignorar os sinais inflacionários”, declarou.
Waller ainda ressaltou que relatórios recentes mostram que as pressões sobre os preços estão se espalhando pela economia, o que pode sugerir uma inflação mais ampla, fora dos fatores que provocaram altas anteriores, como os aumentos de tarifas de importação e os recentes aumentos nos custos de energia.
Ele apontou que, nos serviços essenciais, que representam 75% dos preços, quase 70% das categorias estão enfrentando inflação acima de 3% nos últimos 12 meses. Apesar de a situação atual não ser tão severa quanto a inflação que ocorreu após a pandemia de Covid-19, Waller afirmou que o Fed deve aproveitar a vantagem de ter expectativas de inflação ancoradas e não deve esperar demais para aumentar as taxas, caso a inflação persista.
O diretor mencionou que se mais dados altos sobre a inflação forem registrados nesta semana, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) terá que considerar o aperto na política monetária. Ele enfatizou que seriam necessários vários meses de dados mais baixos para que se possa considerar que a inflação está realmente seguindo na direção certa.
Durante sua fala, as apostas nos mercados financeiros por um aumento nas taxas se intensificaram, com uma chance de até 45% de um aumento na reunião do Fed em julho, em comparação com 35% no início do dia. Os investidores continuam acreditando que um aumento nas taxas deve ocorrer até setembro.
Apesar de não querer aumentar as taxas prematuramente e correr o risco de uma recessão, Waller acredita que o mercado de trabalho está estável e que o Fed deve evitar repetir erros do passado, quando esperou demais para responder às crescentes pressões inflacionárias.
Atualmente, o Fed manteve as taxas de juros inalteradas durante sua reunião em junho, com os formuladores de política monetária divididos em relação à necessidade de um aumento ainda este ano.
Com informações de forbes.com.br.







