A inteligência artificial (IA) tem ganhado destaque nas análises do Federal Reserve sobre a economia americana. A ata da reunião de junho, divulgada recentemente, revela que os investimentos em infraestrutura de IA estão influenciando não somente o mercado financeiro, mas também aspectos como inflação, crédito, comércio global e a trajetória das taxas de juros nos Estados Unidos.
Para Luis Ferreira, CIO do banco suíço EFG para as Américas, essa atualização é um marco significativo na abordagem do Fed em relação à tecnologia. Ele afirma que a ata indica que a inteligência artificial se tornou um elemento chave na economia dos EUA.
De acordo com Ferreira, o aumento na demanda por data centers, equipamentos de ponta e softwares tem impulsionado ações, especialmente no setor tecnológico, além da emissão de títulos de dívida corporativa para financiar o crescimento deste setor e o comércio de produtos tecnológicos.
Por que os investimentos em IA pressionam os preços
Um ponto crucial destacado por ele é que a ata desafia a ideia comum de que a IA teria como efeito imediato a redução de custos. Ao contrário dessa crença popular, o documento indica que a expansão atual da IA está contribuindo para a pressão inflacionária. A equipe técnica do banco central reconhece que a alta demanda por infraestrutura relacionada à IA é um fator que tem alimentado o aumento nos preços.
Ferreira menciona que muitos participantes da reunião notaram que a demanda contínua por infraestrutura de IA deve sustentar a pressão inflacionária sobre os produtos tecnológicos e a eletricidade. Ele observa que a equipe técnica acredita que esta pressão é particularmente visível nos bens, com um aumento nos preços associados a esse surto de demanda relacionado à construção de infraestrutura de inteligência artificial.
Ele também ressalta que o efeito dessa pressão inflacionária deve se manter no curto prazo, presumindo que a demanda por IA continuará a elevar os preços de tecnologia e eletricidade, tornando essas pressões inflacionárias mais resistentes. No entanto, no médio prazo, os efeitos poderão se alterar.
Segundo Ferreira, existe incerteza sobre quando e como os ganhos em produtividade aparecerão. Ele acredita que os investimentos em IA podem impulsionar o crescimento do PIB acima do potencial atual, mas os ganhos de produtividade devem se manifestar apenas mais adiante.
Jason Vieira, economista-chefe da Lev Intelligence, complementa que as recorrentes menções à IA na ata do Fed mostram como o banco central percebe essa tecnologia. Para ele, o Fed está ciente de que a IA pode aumentar o crescimento potencial da economia, mas também pode gerar pressões inflacionárias, especialmente em setores como tecnologia e energia.
André Matos, CEO da MA7 Negócios, destaca que a ata reflete uma análise multifacetada. Os investimentos em data centers, chips e energia estão impulsionando a economia americana, mas, ao mesmo tempo, também pressionam os preços de semicondutores, equipamentos e software. Ele acredita que, enquanto no curto prazo esses fatores podem contribuir para a inflação, no médio prazo, poderiam resultar em uma redução dos preços, caso se convertam em produtividade.
Impacto da IA na trajetória dos juros americanos
A discussão sobre a IA também se entrelaça à definição das taxas de juros. O Fed manteve a taxa básica em 3,50% a 3,75% em junho, mas a ata revelou um comitê mais cauteloso em relação à inflação, mostrando-se menos inclinado a indicar cortes nas taxas. Alguns membros chegaram a ponderar sobre a possibilidade de novas altas, caso os preços continuem elevados.
Os profissionais do EFG acreditam que o Fed não deve aumentar as taxas no terceiro trimestre, mas uma alta de 0,25 ponto percentual pode ocorrer no quarto trimestre. Ferreira observa que o petróleo será uma variável crucial para essa decisão e a recente queda nos preços poderá ajudar a aliviar a inflação nos meses seguintes.
Ainda assim, dados fracos do mercado de trabalho podem atuar como um impedimento para uma alta imediata. No entanto, para o banco suíço, o cenário mais provável continua apontando para um aumento de 0,25 ponto percentual no final do ano.
A ata não afirma que a inteligência artificial é a única responsável pela inflação, mas indica que a tecnologia já não é apenas uma expectativa de produtividade futura. Agora, a IA se consolidou como um fator que influencia o crescimento, pressiona preços e impacta a direção das taxas de juros americanas.
Com informações de forbes.com.br.







