O Partido Novo protocolou, na última sexta-feira (31/7), uma representação que pode resultar na cassação do mandato do senador Jaques Wagner (PT-BA). A legenda pede que o Conselho de Ética do Senado inicie uma investigação para apurar se o parlamentar teria recebido vantagens indevidas e atuado em favor do Banco Master.
No documento, não é especificado qual punição deve ser aplicada. Entretanto, o Novo solicita que, caso as suspeitas sejam confirmadas, o colegiado reconheça a quebra de decoro e defina a sanção adequada, que pode variar de uma medida disciplinar até a recomendação de perda do mandato, sendo esta última decisão finalizada pelo plenário do Senado.
A representação do Novo é respaldada principalmente por uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou ações na 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga Jaques Wagner.
A operação está investigando a relação do senador com indivíduos ligados ao Banco Master, bem como a possível concessão de benefícios econômicos a ele e a pessoas de seu círculo próximo.
Apartamento em Salvador
O Novo menciona a suspeita de que um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador, teria sido adquirido por uma empresa com o intuito de ocultar o verdadeiro proprietário. Segundo a representação, “a titularidade formal do imóvel poderia não corresponder ao seu beneficiário real”.
Wagner nega ter recebido o imóvel, afirmando que a negociação, que visava ajudar sua filha, não foi concluída.
Pagamentos e atuação no Congresso
A legenda também solicita a apuração de uma transferência de R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada à família do senador e de pagamentos superiores a R$ 2,34 milhões destinados a “Dudu”.
Essas movimentações financeiras são relacionadas à atuação de Wagner em pautas de interesse do Banco Master. A suspeita surge quando suas atividades parlamentares são vistas “em um contexto de vantagens econômicas, relações privadas próximas e possível favorecimento de um grupo econômico específico”.
O partido ainda quer investigar se Wagner teve conhecimento prévio da operação da PF, solicitando apuração sobre eventuais acessos a informações sigilosas e possíveis tentativas de alertar investigados ou interferir nas diligências.
Aliados do senador defendem que a audiência mencionada no caso tratava de uma demanda de um prefeito baiano, sem relação com a investigação em questão.
O que o Novo pede
Além de solicitar a abertura do processo, o partido pede que o Senado busque ao STF o compartilhamento dos documentos da investigação, ouça Wagner e outras pessoas citadas pela PF, além de obter os registros de entradas no gabinete do senador nos últimos 24 meses.
A legenda também deseja acesso a informações sobre viagens, presentes, atividades privadas, participações societárias e eventuais vantagens econômicas que Wagner tenha declarado ao Senado.
É importante ressaltar que o protocolo da representação não implica a abertura automática de um processo contra Wagner. Segundo as regras do Senado, o presidente do Conselho de Ética, Jayme Campos (União-MT), terá cinco dias úteis para realizar uma análise preliminar e decidir se aceita ou arquiva o pedido.
Wagner nega ter recebido quaisquer vantagens indevidas e assegura que não mantém negócios com o Banco Master. Recentemente, deixou o cargo de líder do governo no Senado, em acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e declarou que irá se dedicar a provar sua inocência.
Com informações de metropoles.com.








