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Minha Casa, Minha Vida ganha orçamento inédito e impulsiona mercado

O setor imobiliário brasileiro está se concentrando em incorporadoras de alta e baixa renda, favorecidas pelo aumento do orçamento do programa Minha Casa, Minha Vida, que atingirá R$ 208,66 bilhões em 2026, apesar das pressões inflacionárias e de juros elevados.

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Reprodução/MRV, Divulgação

Em meio a um cenário econômico desafiador, marcado pela inflação e altas taxas de juros, o mercado imobiliário tem se concentrado em duas extremidades: as incorporadoras que atuam na faixa alta de renda e aquelas voltadas para a base da pirâmide. Este ano, a base da pirâmide ganhou destaque com os valores recordes do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

A dinâmica do mercado para imóveis de alto padrão, acima de R$ 20 milhões, se mostra resiliente, mas o fortalecimento do MCMV amplia o acesso à habitação, com mais famílias se tornando elegíveis devido ao alargamento das faixas de renda.

Os profissionais do setor imobiliário estão otimistas quanto ao segundo semestre de 2026, embora demonstrem cautela devido às pressões inflacionárias. Todas as análises sugerem uma preferência crescente pelas ações de incorporadoras ligadas ao MCMV.

Orçamento do Minha Casa, Minha Vida em 2026

O orçamento do programa atingiu cifras históricas em 2026, com um crescimento que varia entre 20% e 25% em relação ao ano anterior. O total disponível é de aproximadamente R$ 208,66 bilhões, com investimentos provenientes, em grande parte, do FGTS, além de outras fontes.

O Conselho Curador do FGTS destinou R$ 142,1 bilhões para habitação, complementados por R$ 12,5 bilhões em subsídios e um reforço de R$ 24,76 bilhões do Fundo Social, que começou a investir na habitação após mudanças legislativas em 2025.

Em 2025, foram realizados 44 mil financiamentos habitacionais na Faixa 3 do MCMV e 36,5 mil operações voltadas para melhorias em residências. Em 2026, o orçamento conta ainda com R$ 9,3 bilhões provenientes do Orçamento Geral da União, mostrando um comprometimento significativo com a habitação.

Recentemente, foi anunciada uma marca impressionante: a Caixa Econômica Federal alcançou R$ 1 trilhão em sua carteira de crédito imobiliário, sendo o MCMV responsável por 58% desse total. Apenas nos primeiros meses do ano, a instituição liberou R$ 64,2 bilhões em crédito, o que representa um aumento de mais de 30% em relação ao ano anterior.

Expectativas para o setor

O CEO da MRV destaca que o déficit habitacional no Brasil é considerável, tendo em vista que, mesmo com o MCMV, a demanda por habitação ainda é muito alta. O funcionamento do programa e as condições de crédito subsidiado têm ajudado o setor a se manter ativo, mesmo sob circunstâncias econômicas difíceis.

Dados de junho indicam que o déficit habitacional no Brasil é estimado em cerca de 5,7 milhões de domicílios. O CEO acredita que, por conta dessa realidade, o setor poderá observar uma quantidade significativa de lançamentos em 2026, com possibilidade de aumento nas margens de lucro, dependendo do cenário econômico.

A MRV ajusta sua abordagem para se proteger das flutuações econômicas, focando na precificação adequada dos imóveis, já que a inflação pode impactar diretamente os custos e, consequentemente, os preços finais.

A Cury, por sua vez, tem 95% de seus imóveis incorporados no MCMV e vê o orçamento elevado como um sinal de tranquilidade após anos de incertezas sobre a disponibilidade de recursos. O CEO enfatiza a importância das políticas habitacionais em São Paulo e Rio de Janeiro, que favorecem o desenvolvimento de Habitação de Interesse Social perto de modais de transporte.

Visão dos analistas sobre o MCMV

Analistas do mercado financeiro compartilham o otimismo em relação ao MCMV, especialmente em tempos em que as empresas do setor parecem mais preparadas para enfrentar os desafios de custos. A Cury é mencionada como uma favorita, sendo avaliada a um múltiplo de sete vezes o preço sobre o lucro estimado para este ano.

No entanto, um ponto de atenção identificado é a viabilidade do FGTS em longo prazo, já que concessões de empréstimos do MCMV representam uma grande parte da carteira do fundo. Estima-se que saques extraordinários tenham contribuído para a diminuição do saldo do FGTS em 2026.

Por outro lado, existe uma expectativa positiva sobre possíveis reduções nas taxas de financiamento que poderiam aumentar a capacidade de compra dos consumidores entre 5% a 35%.

Com informações de forbes.com.br.

TAGS: Segurança

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Advogado, autor, professor e palestrante focado na transformação digital da sociedade. Especializado em Direito Civil e atuante no Direito Digital e Empresarial.

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