Viver em áreas distantes dos grandes centros urbanos pode ser um grande desafio, especialmente quando se trata de acessar serviços de saúde. Para muitas pessoas, conseguir uma consulta com um médico especialista pode exigir longas horas ou até dias de viagem, além de despesas com transporte, hospedagem e alimentação. No entanto, a expansão da conectividade digital tem trazido mudanças significativas para esse cenário, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS).
A disponibilização de internet de alta velocidade e das novas redes móveis tem possibilitado um atendimento remoto que aproxima pacientes de especialistas. Agora, consultas podem ser feitas via vídeo, diretamente de unidades de saúde locais ou até mesmo do conforto da casa do paciente, utilizando dispositivos móveis.
“Especialistas podem colaborar com os profissionais que atendem os pacientes nas comunidades, resultando em um atendimento mais adaptado às realidades locais”, afirma um cardiologista que coordena projetos de telemedicina. Com essa abordagem, o foco muda, diminuindo a necessidade de encaminhamentos para centros de referência.
O projeto TeleAMES, iniciado em 2021, já realizou mais de 550 mil atendimentos, conectando pacientes em regiões remotas do Norte e Centro-Oeste ao atendimento de especialistas. Isso demonstra como a inovação pode aprimorar processos e oferecer soluções antes de serem adotadas em larga escala na rede pública.
A pandemia acelerou o uso da telemedicina, tornando o atendimento remoto uma solução necessária, especialmente em tempos de restrições de contato. Com a regulamentação da telemedicina, que proporciona maior segurança a profissionais e pacientes, o conceito de assistência híbrida se solidificou.
Inicialmente voltadas para situações de emergência, as consultas remotas agora abrangem várias áreas da saúde, como telemonitoramento, acompanhamento ambulatorial e retorno de consultas. O conceito de “telessaúde” se amplia, incluindo serviços de diferentes profissionais, não apenas médicos.
Experiência de Telerreabilitação
Um estudo recente destacou a eficácia de um programa de telereabilitação, desenvolvido em parceria entre instituições de saúde, que visava melhorar a qualidade de vida de pacientes em ventilação mecânica. A pesquisa incluiu 2 mil indivíduos em hospitais públicos, com acompanhamento que ia além da alta hospitalar, englobando consultas remotas e sessões de reabilitação.
Os resultados apontaram para uma redução nas sequelas físicas e na mortalidade, além de uma melhoria no bem-estar geral e diminuição do tempo de internação. Para garantir a inclusão digital, foram fornecidos smartphones e acesso à internet para aqueles que não dispõem de tecnologia adequada.
Os pesquisadores agora analisam a viabilidade econômica desse modelo, visando entender os custos e benefícios gerados. A proposta é que essa estratégia mostre uma relação favorável entre investimento e redução de gastos hospitalares, ao mesmo tempo que promova a recuperação dos pacientes.
“O modelo foi pensado para ser escalável e aplicável a diferentes contextos, aproveitando o potencial de instituições locais para desenvolver soluções”, acrescenta um dos coordenadores do projeto.
Com informações de metropoles.com.








