
De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, o vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-AP), e o líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), comentaram sobre a votação que ocorreu na quinta-feira (30), a qual resultou na derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de Lei (PL) da Dosimetria.
Lindbergh descreveu a ação como um "golpe orquestrado por Davi Alcolumbre", presidente do Senado, e destacou dois propósitos: isentar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que possui aliados entre os generais investigados, e possibilitar um acordo que proteja as investigações da Polícia Federal. "Esse movimento visa criar uma blindagem para que as investigações não prossigam", afirmou o vice-líder petista.
Cabo Gilberto, por sua vez, considerou a derrubada do veto uma "vitória para o povo brasileiro", refletindo uma visão oposta sobre a votação. A Câmara dos Deputados registrou um total de 318 votos favoráveis à derrubada do veto, enquanto o Senado somou 49 votos a favor.
Além disso, Lindbergh citou a CPI do Master como parte da discussão, argumentando que a oposição havia se calado sobre o tema em troca desse acordo. "O discurso era forte, mas agora ninguém quer falar sobre a CPI do Master, como se o acordo fosse: ‘silenciamos sobre investigação e reduzimos as penas de líderes golpistas’", explicou.
Em resposta a essa linha de raciocínio, Cabo Gilberto trouxe à tona antigas acusações de corrupção relacionadas ao governo Lula, como o mensalão e o petrolão, para enfatizar que a atual gestão não está interessada em investigações sérias. Ele questionou: "Quantas assinaturas da base do governo foram registradas para as CPIs do INSS e do Banco Master? Nenhuma." Segundo ele, a administração de Lula é a "mais corrupta da história do Brasil".
O conceito de dosimetria refere-se à forma como os juízes determinam a quantidade de pena em função da gravidade do crime, dos antecedentes do autor e das circunstâncias em que o delito foi cometido. Com o novo projeto de lei, há a possibilidade de diminuição das penas para condenados por atos golpistas, como os ataques ocorridos em 8 de janeiro de 2023. A proposta também pode beneficiar Bolsonaro e seus aliados já condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativas de golpe no ano anterior.
Na sessão conjunta do Congresso, tanto deputados quanto senadores votaram em diferentes etapas. Para reverter o veto presidencial, eram necessários pelo menos 257 votos na Câmara e 41 no Senado.
Lindbergh também criticou a atuação de Davi Alcolumbre, acusando-o de favorecer a oposição em suas manobras em torno dos vetos presidenciais. "A administração de Alcolumbre foi das piores possíveis. Ontem, assistimos a uma conspiração bem arquitetada para construir esse acordo de proteção contra delitos", finalizou.
Fonte: g1.globo.com



