A palavra “retrofit” surgiu entre as décadas de 1940 e 1950, originando-se da junção das palavras retroactive e refit. Sua primeira aplicação foi na indústria bélica, onde se tornou necessário atualizar aviões e navios que estavam se tornando obsoletos ainda em fase de construção.
Com o tempo, o conceito foi adotado pela construção civil e pela arquitetura. De acordo com dicionários, retrofit significa “adaptar para um novo propósito ou necessidade; modificar”.
Um dos exemplos mais notáveis de retrofit aconteceu no famoso Empire State Building, que passou por uma extensa reforma entre 2009 e 2013, com um custo de US$ 550 milhões. Deste total, US$ 106 milhões foram direcionados a melhorias na eficiência energética, resultando em uma economia anual de US$ 4,4 milhões e uma significativa redução no uso de energia.
Esse conceito é bastante utilizado em grandes centros urbanos, como Nova York, onde edifícios antigos necessitam de modernização planejada que preserve seus elementos originais. Além disso, reformas bem executadas podem aumentar o valor dos imóveis consideravelmente.
Um relatório de uma entidade americana revelou que 94% dos proprietários notaram uma valorização em seus imóveis após um retrofit sustentável. Em São Paulo, projetos de retrofit também têm mostrado resultados impressionantes, com valorização na casa dos 120% em média, principalmente em áreas centrais.
Valorização Através do Retrofit
Gustavo Saraiva, engenheiro civil e cofundador de uma empresa especializada em retrofitar coberturas, destacou que a valorização média dos imóveis supera 120%. Esse tipo de projeto não apenas moderniza, mas também ajusta estruturas para atender às necessidades atuais.
A Dupllex, por exemplo, transforma apartamentos antigos, otimizando o uso dos espaços e modernizando a infraestrutura, como sistemas hidráulicos e elétricos. Segundo Saraiva, o objetivo é unir modernidade e preservação, evitando impactos negativos nas comunidades ao redor.
Um projeto emblemático da empresa foi a reforma de uma cobertura na Rua Haddock Lobo, um local de prestígio na cidade. A cobertura, que passou por importantes modificações para melhorar a integração entre os ambientes, foi vendida por R$ 10,08 milhões, cerca de R$ 29,8 mil por metro quadrado.
No Edifício Virginia, também em São Paulo, 97% das unidades foram vendidas, com preços de revenda superando os R$ 16 mil por metro quadrado. O projeto incluiu a restauração da fachada e a remodelação de apartamentos, além de áreas de lazer e integração com o entorno.
As políticas públicas na capital paulista, como o Programa Requalifica Centro, têm sido fundamentais para viabilizar a requalificação de imóveis antigos, facilitando licenças e promovendo novos usos para edifícios vazios. Com um mercado ainda em expansão, a expectativa é que mais regiões adotem o retrofit como solução.
Pedro Coimbra, arquiteto, ressaltou que um bom projeto de retrofit deve respeitar a arquitetura local e trazer uma nova identidade para os bairros.
Valorização no Centro de São Paulo
A valorização no Centro de São Paulo, impulsionada por retrofits e políticas públicas, foi significativa, com a região apresentando uma valorização de 67% nos últimos cinco anos. O metro quadrado passou de R$ 10 mil em 2021 para mais de R$ 16,8 mil este ano.
- Centro — 67,4%
- Leste — 48,4%
- Norte — 42,1%
- Oeste — 31,4%
- Sul — 20,4%
À medida que o mercado se aquece, as vendas foram aceleradas e a revitalização do entorno tem atraído novos moradores, refletindo uma melhoria nas condições de segurança pública na área.
Com informações de forbes.com.br.








