A pré-campanha para as eleições presidenciais está movimentada e a inteligência artificial (IA) tem sido uma ferramenta utilizada por diversos candidatos. De jingles a vídeos satíricos, a tecnologia vem aparecendo em clipes, sátiras e outras produções tanto de políticos quanto de seus apoiadores.
Entre os conteúdos gerados, há situações fictícias envolvendo os pré-candidatos. Por exemplo, Romeu Zema (Novo) aparece cantando sobre Minas Gerais, Flávio Bolsonaro (PL) é retratado como piloto de caça e Renan Santos (Missão) apresenta um vídeo criticando Daniel Vorcaro. Lula (PT) também esteve em evidência, compartilhando um vídeo com música criada por um apoiador e com voz gerada por IA.
Um levantamento revelou que a produção de conteúdos políticos com IA aumentou 50% em relação à média do período eleitoral de 2024. A coordenadora do Observatório IA nas Eleições, Carla Rodrigues, explicou que a tendência é que essa produção se intensifique à medida que as eleições se aproximam, citando um crescimento ainda maior nos últimos meses.
Dos conteúdos analisados, 45% foram considerados desinformativos e 73% não mencionaram o uso da IA, o que levanta preocupações sobre a transparência nas campanhas. A Justiça Eleitoral já se posicionou, estabelecendo que, apesar de a propaganda eleitoral oficial iniciar apenas em agosto, as regras para o uso de IA devem ser observadas desde a pré-campanha.
Na segunda-feira (3), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Advocacia-Geral da União (AGU) disponibilizaram uma cartilha com diretrizes sobre o uso de IA nas eleições. Ela inclui recomendações para identificar conteúdos gerados por IA e a necessidade de transparência, como avisos em áudios e marca d’água em imagens.
Os candidatos estão cientes das novas regras. A advogada eleitoralista Emma Roberta Bueno comentou que o que não pode ser feito na campanha também se aplica à pré-campanha. A resolução indica que quem utilizar IA deve informar ao eleitor sobre a manipulação do conteúdo, com avisos claros tanto em vídeos quanto em imagens.
A proibição do uso de deepfakes é uma das principais diretrizes. O conteúdo sintético que favoreça ou prejudique candidaturas é estritamente proibido. Mesmo com autorização, o uso de deepfakes que alterem a imagem ou voz de uma pessoa é considerado ilegal.
Durante a pré-campanha, Flávio Bolsonaro utilizou a IA de várias formas, incluindo jingles e vídeos que retratam o ex-presidente Jair Bolsonaro em situações fictícias. Em um desses vídeos, o senador aparece como piloto de caça, enquanto outro simula uma conversa entre Jair e uma versão infantil de si mesmo.
O uso de IA em campanhas também está gerando polêmica. O ministro Alexandre de Moraes questionou a autorização do ex-presidente para o uso de sua imagem em um vídeo gerado por IA, o que pode levar a responsabilizações legais para o PL e para Flávio.
A tecnologia também permite que os candidatos estejam presentes em diversas plataformas simultaneamente, facilitando a produção de conteúdos voltados para diferentes públicos. Essa estratégia ajuda a criar uma narrativa coesa e aumentar o alcance nas redes sociais.
A produção de conteúdo com IA não é exclusiva de candidatos e partidos. Eleitores e apoiadores também estão criando materiais, inclusive vídeos manipulados que podem enganar o público. As plataformas têm um papel importante na detecção e remoção desse tipo de conteúdo.
As novas regras do TSE entrarão em vigor em breve, com proibições específicas nos dias que antecedem as eleições. É essencial que tanto candidatos quanto eleitores se mantenham informados para garantir a integridade do processo eleitoral.
Com informações de g1.globo.com.








