A Polícia Federal (PF) começou uma investigação sobre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, relacionada a possíveis crimes de tráfico de influência e corrupção. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a PF a avaliar a atuação de Lulinha no apoio ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, também chamado de “Careca do INSS”, em negociações com o Ministério da Saúde.
Antunes é apontado como um dos responsáveis por irregularidades em aposentadorias e pensões, conforme apurações da Operação Sem Desconto. A segunda investigação, também autorizada por Mendonça, examinará se Lulinha utilizou sua influência na Dataprev, empresa pública responsável pela gestão de dados sociais, especialmente relacionados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
As investigações não estão diretamente ligadas aos desvios em aposentadorias e pensões, mas surgiram durante as apurações desse caso. A PF está averiguando se Lulinha favoreceu Camilo Antunes em negociações voltadas ao mercado de cannabis medicinal, na tentativa de firmar um contrato com o Ministério da Saúde para fornecimento de medicamentos à base de canabidiol, em 2024 e 2025. Este contrato, no entanto, nunca foi assinado.
Além disso, o lobista contratou a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para prospectar oportunidades de negócios para a empresa World Cannabis. A defesa de Roberta alegou que não houve irregularidades e que não houve repasses financeiros a Lulinha.
Antônio Carlos Camilo Antunes está detido desde setembro do ano passado e é considerado um dos principais operadores de um esquema de descontos ilegais em benefícios, que já foi investigado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
Em janeiro de 2025, Camilo Antunes se reuniu com o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, em uma conversa que, segundo notas oficiais, ocorreu sem interferências externas e não teve desdobramentos concretos.
A defesa de Lulinha informou que ele viajou a Portugal com Camilo Antunes a convite do lobista, em novembro de 2024, para conhecer uma fábrica de medicamentos. Segundo o advogado Marco Aurélio de Carvalho, a viagem não resultou em qualquer negócio e todas as despesas foram pagas por Antunes.
Importante ressaltar que a PF já quebrou os sigilos bancário e fiscal de Lulinha no começo deste ano, mas a defesa alega que não foram encontrados indícios de que ele estivesse envolvido nas fraudes do INSS. Após a abertura do novo inquérito sobre sua atuação na Dataprev, o advogado considerou a decisão “lamentável”, afirmando que não há fundamentos que justifiquem a investigação. Segundo ele, a PF está apenas buscando algo que não existe, numa estratégia de “pesca probatória”.
Com informações de g1.globo.com.







