
De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, a Polícia Federal (PF) está analisando uma proposta de delação premiada apresentada pelo ex-procurador-geral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho. Este encontra-se preso em uma unidade prisional no Paraná desde novembro do ano anterior.
Atualmente, Oliveira Filho foi transferido para a Superintendência da PF em Curitiba, onde já submeteu uma proposta que inclui anexos com diversos temas que pretende incluir em seu acordo de colaboração. Durante os primeiros depoimentos, ele não apenas reconheceu a prática de atos ilícitos como também forneceu informações iniciais relevantes sobre o esquema criminoso.
Caso a PF aceite a proposta de delação, todos os materiais apresentados serão encaminhados ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça é o responsável pelas investigações relativas às fraudes no INSS, que foram reveladas pela Operação Sem Desconto, iniciada há cerca de um ano. Antes de validar o acordo, o ministro deverá consultar a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Outro envolvido nas investigações é o empresário Maurício Camisotti, que possui vínculos com algumas das entidades que implementaram descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Ele também está buscando homologar seu próprio acordo de delação premiada, que já foi assinado e agora aguarda a validação por parte de Mendonça.
A delação de Virgílio de Oliveira Filho é considerada crucial pelos investigadores, tendo em vista que ele ocupou uma posição de destaque na área jurídica do INSS e detinha amplo conhecimento sobre o funcionamento do esquema, incluindo conexões políticas. Informações obtidas pelo g1 indicam que um dos anexos que Oliveira Filho propõe à PF diz respeito ao Banco Master, uma instituição financeira identificada como precursora na fraude de empréstimos consignados destinados a aposentados do INSS.
Este elemento da delação apresenta um ponto de confluência entre as duas investigações principais atualmente em trâmite no STF: as que envolvem o INSS e o Banco Master, sendo Mendonça o relator de ambas.
O relato de Oliveira Filho sugere que, durante o governo de Jair Bolsonaro, foi editada uma medida provisória — referida internamente por funcionários do INSS como "MP do Master" — que beneficiou o banco na realização de contratos de empréstimos consignados, nos quais as parcelas são deduzidas diretamente da folha de pagamentos do INSS.
O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso preventivamente no início de março dentro da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes em transações ligadas ao Banco de Brasília (BRB) e a fundos de investimento. Ele permanece na Superintendência da PF em Brasília, onde também busca chegar a um acordo de delação premiada.
Prisões em Contexto
Virgílio de Oliveira Filho foi detido no dia 13 de novembro de 2025, durante a quarta fase da Operação Sem Desconto. A investigação da PF revelou que ele recebeu, por meio de contas bancárias e empresas de sua esposa, um total de R$ 11,9 milhões provenientes de empresas associadas às fraudes.
A esposa de Oliveira Filho, a médica Thaísa Hoffmann, também foi presa nesse contexto. Além dos valores envolvidos, a PF descobriu que o lobista Antônio Antunes, conhecido como Careca do INSS e também sob investigação, transferiu um veículo de luxo para o nome dela. Atualmente, Thaísa encontra-se em prisão domiciliar, usando tornozeleira eletrônica.
A quarta fase da Operação Sem Desconto resultou em oito prisões adicionais, incluindo Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, e André Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS, que ainda permanecem detidos.



