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Petróleo ultrapassa US$ 100, Ibovespa cai e dólar vai a R$ 5,08

O preço do petróleo Brent superou US$ 100 pela primeira vez desde maio, impulsionado por ataques a petroleiros sauditas, enquanto o Ibovespa caiu 0,46% em meio a preocupações inflacionárias com a escalada do conflito no Oriente Médio.

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Reprodução/Forbes Money | Forbes Brasil

O preço do petróleo Brent ultrapassou a marca de US$ 100 nesta quinta-feira (23), marcando a primeira vez desde maio que isso ocorre. O aumento no valor se deve a ataques a dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, que elevaram as preocupações sobre possíveis interrupções no abastecimento global. Esta escalada de tensões no Oriente Médio impactou as bolsas de valores, resultando em queda do Ibovespa, mesmo com a alta nas ações da Petrobras.

Os contratos futuros do Brent subiram 7%, alcançando US$ 100,69 por barril, atingindo o maior fechamento desde 22 de maio. Desde o início da guerra com o Irã, em fevereiro, essa referência global já acumula uma valorização de quase 40%, sendo que a maior parte dessa alta ocorreu neste mês.

No mercado americano, o petróleo West Texas Intermediate (WTI) também registrou alta de 6,2%, encerrando o dia a US$ 92,19 por barril, o que representa o maior valor de fechamento desde 4 de junho.

O aumento da tensão ocorre após um anúncio dos houthis do Iémen, aliados do Irã, que afirmaram ter atacado os petroleiros sauditas no Estreito de Bab el-Mandeb, reiterando a possibilidade de um bloqueio naval aos embarques do país. A agência estatal saudita SPA confirmou que uma das embarcações pegou fogo, embora não tenha identificado os responsáveis pelo ataque. Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que tomará “uma forte retaliação militar” contra o Irã e os houthis.

Essa nova tensão se soma à quase total paralisação do tráfego pelo Estreito de Ormuz e à redução das exportações iranianas, que juntas representam cerca de 25% da oferta mundial de petróleo. A Gelber and Associates destacou em relatório que a escalada das tensões agrava ainda mais a situação do tráfego e as exportações na região, aumentando as preocupações sobre a disponibilidade global de petróleo no curto prazo.

Apesar da situação conturbada, dois superpetroleiros chineses, juntos transportando 4 milhões de barris de petróleo saudita, conseguiram deixar o Mar Vermelho pelo Estreito de Bab el-Mandeb nesta quinta-feira, conforme dados de transporte marítimo. O Goldman Sachs prevê que o Brent pode ultrapassar os US$ 120 por barril no quarto trimestre, caso o Estreito de Ormuz continue bloqueado até 2027. Nesse cenário, a estimativa é que o preço médio do Brent ao longo do próximo ano seja de US$ 100, com a possibilidade de novas altas se interrupções também afetarem o Canal de Suez e Bab el-Mandeb.

Ibovespa recua, mas Petrobras limita perdas

A alta dos preços do petróleo reacendeu temores de inflação e gerou um clima de aversão ao risco nos mercados globais. O Ibovespa fechou em queda de 0,46%, encerrando o dia em 176.723,62 pontos. Durante o pregão, o principal índice da B3 chegou a registrar mínima de 176.293,25 pontos e máxima de 177.895,77 pontos, com um volume financeiro total de R$ 21,04 bilhões.

A valorização das ações da Petrobras ajudou a limitar as perdas. As ações preferenciais da estatal subiram 0,87%, enquanto as ordinárias avançaram 1,67%. O economista sênior Vitor Kayo, da Nomad, destacou que o mercado se preocupa mais com a inflação provocada pela guerra do que com os impactos positivos da alta do petróleo sobre a economia brasileira.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 caiu 1,2%, refletindo a expectativa de que o aumento nos preços de energia mantenha a inflação elevada e dificulte a redução das taxas de juros. Dentre os destaques do Ibovespa, a Vale subiu 0,77%, acompanhando a valorização do minério de ferro, que no mercado chinês teve alta de 0,74%, fechando a US$ 110,43 por tonelada.

No lado negativo, bancos apresentaram desempenho ruim: as ações preferenciais do Itaú Unibanco caíram 0,79%, as do Bradesco recuaram 1,32%, as units do Santander Brasil perderam 1,19% e os papéis ordinários do Banco do Brasil tiveram queda de 0,76%. A Azzas 2154 caiu 4,27%, e o Assaí recuou 4,52%, em um dia marcado pela alta dos juros futuros e pressão sobre empresas sensíveis ao custo do crédito.

O dólar, que tinha se desvalorizado por três dias seguidos, subiu 0,63%, fechando a R$ 5,0842. No acumulado do ano, a moeda americana ainda apresenta desvalorização de 7,37% em relação ao real. O contrato futuro para agosto, o mais negociado na B3, subiu 0,49%, alcançando R$ 5,0950 às 17h03.

A alta do dólar reflete um movimento global, onde investidores estão buscando ativos mais seguros. O aumento na moeda americana impactou não apenas divisas fortes como o euro e a libra, mas também moedas de países emergentes como o rand sul-africano e os pesos mexicano e chileno. Às 17h05, o índice que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes subia 0,31%, registrando 101,420 pontos.

No Brasil, enquanto a alta do petróleo geralmente tende a beneficiar o real, o sentimento de aversão ao risco ainda prevaleceu nas negociações. Luca Girardi, analista da Nomad, afirmou que o movimento foi impulsionado principalmente por fatores externos, levando o real a acompanhar o enfraquecimento geral das moedas em relação ao dólar. Durante a sessão, o dólar oscilou entre R$ 5,0694 e R$ 5,0941. Pela manhã, o Banco Central vendeu 50 mil contratos de swap cambial para rolar o vencimento de 3 de agosto, mas isso não teve impacto significativo sobre as cotações.

Com informações de forbes.com.br.

TAGS: Segurança

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Advogado, autor, professor e palestrante focado na transformação digital da sociedade. Especializado em Direito Civil e atuante no Direito Digital e Empresarial.

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