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EUA sancionados movimentam bilhões fora do controle dos governos

Victor Shimada, sancionado pelos EUA por ligação com o PCC, utilizava criptoativos e transferências eletrônicas para movimentar bilhões em um esquema de lavagem de dinheiro, caracterizado por um sistema de câmbio clandestino que evita o rastreamento. As investigações identificaram operações em vários países, utilizando métodos sofisticados para driblar autoridades.

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Reprodução/Polícia Civil

Um brasileiro sancionado pelo governo dos Estados Unidos, por sua ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), utilizava transferências internacionais, criptomoedas e dinheiro em espécie para movimentar bilhões de reais, de acordo com uma investigação da Polícia Federal.

Victor Shimada, apontado como líder de uma organização de lavagem de dinheiro, operava uma versão moderna do chamado “dólar-cabo”. Esse sistema clandestino de câmbio permite que o dinheiro não atravesse fisicamente as fronteiras, mas sim através de compensações em créditos e débitos simultâneos em diferentes países.

No esquema dele, as criptomoedas e métodos de pagamento digital conferiam agilidade e sigilo, facilitando a movimentação de fundos fora do controle das autoridades por anos.

Como funciona o esquema

O modelo operado por Shimada envolvia compensações em vez de transferências tradicionais. No exterior, membros da organização recebiam valores em diferentes moedas, enquanto no Brasil, o mesmo montante era entregue em reais a destinatários locais. Esse sistema possibilitava a movimentação do dinheiro sem o uso de bancos, evitando assim impostos e rastreamento.

Em uma das operações, um investigado em Portugal questionou Shimada sobre a disponibilidade de euros para venda, visando transferir cerca de um milhão de reais para o Brasil. Em outra conversa, Shimada ofereceu 300 mil euros em espécie, o que equivalia a aproximadamente R$ 1,5 milhão na época, para revender para outros brasileiros que estavam em Portugal.

Explorando novas tecnologias

O esquema de Shimada se diferencia dos doleiros tradicionais pela utilização de meios eletrônicos. Criptomoedas como Bitcoin e Tether foram utilizadas, e planilhas específicas gerenciavam operações em cidades americanas como Houston e Chicago, somando milhões de dólares. Em registros analisados, uma transação atingiu a marca de U$ 7,5 milhões.

Além dos criptoativos, sistemas de pagamento como o Zelle, uma plataforma americana similar ao Pix, foram mencionados em operações de transferência de valores relacionados ao tráfico de drogas. Diferente do Pix, o Zelle é um serviço privado administrado por instituições financeiras dos EUA.

A movimentação física de dinheiro

Ainda que todo o esquema fosse digital, a organização utilizava dinheiro físico, identificado como “papel”. Pessoas no Brasil eram encarregadas de coletar e entregar as quantias. Um caso documentado em 2023 envolveu a coordenação de uma entrega via Waze, e o grupo usava notas de R$ 2 manuscritas como comprovantes de transação.

Comunicados cifrados

Para evitar monitoramento, os integrantes do grupo desenvolviam uma linguagem própria em suas mensagens. Termos como “iPhone” se referiam a drogas, enquanto “verde” e “azul” indicavam dólares. Celulares descartáveis eram utilizados para preservar a comunicação em aplicativos criptografados. Após um contato com a imigração de Miami, Shimada apagou informações do celular, numa tentativa de eliminar provas.

Sanção americana

Victor Shimada foi um dos alvos da sanção do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por supostamente envolver-se em atividades de lavagem de dinheiro ligadas ao PCC, sendo a primeira vez que uma sanção desse tipo foi aplicada ao grupo. Juntamente com ele, foram sancionados outros brasileiros e empresas relacionadas.

A medida determina que todos os bens e ativos sob jurisdição americana sejam bloqueados, e cidadãos e entidades dos EUA estão proibidos de realizar negócios com eles.

Nota da defesa

A defesa de Victor Shimada comunicou que ainda não teve acesso aos documentos que fundamentaram as sanções, o que dificulta uma manifestação detalhada. No entanto, Shimada nega qualquer envolvimento com atividades criminosas e garantir que a situação será analisada após o recebimento dos documentos pertinentes.

Os demais citados na investigação não foram localizados para comentário. O espaço está aberto para manifestações.

Com informações de metropoles.com.

TAGS: Segurança

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Advogado, autor, professor e palestrante focado na transformação digital da sociedade. Especializado em Direito Civil e atuante no Direito Digital e Empresarial.

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