Na última segunda-feira (3), o preço do petróleo enfrentou uma queda acentuada nos mercados internacionais, revertendo quase todos os ganhos da semana anterior.
A desvalorização foi impulsionada por expectativas de um reatamento nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã, além da decisão da Opep+ de aumentar a produção em setembro. Esses fatores reduziram o risco geopolítico, chamando a atenção dos investidores, especialmente em relação às ações da Petrobras.
No fechamento do dia, o barril de petróleo tipo Brent, com entrega para outubro, teve uma queda de 4,73%, cotado a US$ 83,77, enquanto o WTI registrou um recuo de 5,11%, vendendo a US$ 80,34.
Essa mudança repentina no mercado reflete uma alteração no sentimento dos investidores, que até então haviam precificado um potencial aumento nas tensões militares no Oriente Médio e possíveis interrupções no fornecimento global. O alívio nas cotações foi provocado principalmente pela declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, que anunciou a retomada das conversas com Teerã.
No entanto, apesar da euforia nas bolsas, o contexto geopolítico permanece delicado. O governo iraniano não confirmou oficialmente o recomeço das negociações, e a navegação continua limitada no Estreito de Ormuz. Isto sem mencionar os pontos de tensão em Bab el-Mandeb e no Canal de Suez, fundamentais para o comércio com a Europa e a Ásia.
Ibovespa fecha estável apesar de queda de Vale e Petrobras
O índice Ibovespa se mostrou estável, mesmo com as ações da Vale e da Petrobras sendo pressionadas. Em contrapartida, a Embraer teve uma alta de mais de 3%, contribuindo para a estabilidade do índice.
O fechamento do Ibovespa foi registrado em 178.000,24 pontos, apresentando uma máxima de 178.556,60 e uma mínima de 176.783,14 pontos no dia.
O relatório Focus trouxe uma revisão nas previsões para a Selic ao final do ano, agora projetada para 13,75%, em comparação aos 14% anteriores. No cenário financeiro, muitos especialistas acreditam que o Banco Central deverá anunciar um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros esta semana, reduzindo para 14%.
A situação política também atraiu a atenção, principalmente com a oficialização da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição e a divulgação de uma nova pesquisa mostrando um empate técnico entre ele e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno.
No que diz respeito às ações recomendadas pelo BTG Pactual, os estrategistas afirmam que a percepção de que os juros reais de longo prazo estejam próximos de 8% pode não estar refletindo alívio nas contas fiscais do país.
Além disso, a volatilidade do Ibovespa deve se manter elevada devido ao contexto geopolítico e à proximidade das eleições. Analistas indicam que, se o índice se mantiver acima dos 178 mil pontos, pode buscar a faixa dos 179,9 mil pontos, enquanto um suporte inicial estaria em 175 mil pontos.
A temporada de divulgação dos balanços do segundo trimestre também se intensifica, com resultados, em geral, mostrando resiliência apesar das pressões financeiras.
Ao longo do dia, o dólar obteve leve alta frente ao real, influenciado pela esperança de um acordo no Oriente Médio, pela intervenção dos EUA e Japão no iene e pela demanda de importadores pela moeda. O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,38%, cotado a R$ 5,0877. No ano, a moeda já acumula queda de 7,31%.
O cenário político continua em destaque, com uma pesquisa indicando que Luiz Inácio Lula da Silva possui 46% das intenções de voto em um possível segundo turno, contra 45% do senador Flávio Bolsonaro.
Com informações de forbes.com.br.









