Rodrigo Pontual da Cruz, pai da paratleta Priscila Pontual Lobato da Cruz, de 15 anos, conquistou uma decisão na Justiça do Distrito Federal que determina que a Confederação Brasileira de Desportos para Deficientes Intelectuais (CBDI) deve inscrever sua filha no Mundial de Natação para Pessoas com Síndrome de Down, que ocorrerá em Portugal em novembro.
A jovem nadadora, que atualmente lidera o ranking nacional em quatro categorias, estava em risco de ficar fora da competição após a CBDI decidir não incluir o Mundial em seu calendário devido a questões financeiras. A família de Priscila se ofereceu para arcar com todos os custos da viagem, mas a inscrição precisa ser feita pela Confederação, o que motivou a busca por auxílio na Justiça.
A juíza Ana Beatriz Brusco, responsável pela decisão, deu um prazo de 24 horas para que a CBDI realize a inscrição da atleta. Em caso de descumprimento, a entidade pode enfrentar uma multa diária de R$ 1 mil.
Desafios enfrentados pela família
Rodrigo tentou diversas vezes entrar em contato com a CBDI, mas não obteve respostas efetivas. A única comunicação que recebeu limitou-se a informar que o assunto estava sendo analisado por um setor jurídico. Antecipando-se, ele já pagou 50% do valor necessário para garantir a vaga de Priscila no torneio.
Essa competição é considerada por muitos como a verdadeira olimpíada para atletas com Síndrome de Down, já que essa categoria não possui espaço específico nas Paralimpíadas. Para Rodrigo, a falta de apoio para um atleta com potencial de medalha é inaceitável.
“Deixar os atletas sem a possibilidade de disputar esse evento seria como se o Comitê Paralímpico Brasileiro retirasse as Paralimpíadas do calendário,” afirma Rodrigo.
Expectativas para o Mundial
Priscila é campeã brasileira nas provas de 50, 100 e 200 metros, além dos 50 metros borboleta, e possui grandes expectativas de conquistar medalhas na competição. Seu tempo na prova de 50 metros borboleta, de 59 segundos e 92 milésimos, é notável, colocando-a em uma posição competitiva em relação a outros atletas.
A jovem representa o Projeto Naurú e treina no Centro Olímpico da Universidade de Brasília (UnB).
Posição da CBDI
Procurada, a Confederação Brasileira de Desportos para Deficientes Intelectuais comentou que a seleção de atletas para o Mundial ainda está sendo finalizada e que um projeto de financiamento foi enviado ao Comitê Paralímpico Brasileiro, que analisa os recursos destinados à CBDI. A entidade garantiu que sempre participou dos mundiais de natação para atletas com Síndrome de Down, apesar das dificuldades financeiras.
Com informações de metropoles.com.







