De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, confirmou a transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro do Complexo da Superintendência da Polícia Federal para a penitenciária de Papudinha. Mendonça defendeu que essa mudança não constitui um tratamento privilegiado e não está relacionada ao fracasso das negociações para um acordo de delação premiada.
O ministro destacou que as justificativas que fundamentaram a prisão preventiva de Vorcaro continuam relevantes e que a unidade de Papudinha oferece as melhores condições de segurança para o custodiado. Mendonça comentou que a rejeição da proposta de colaboração premiada não influencia essa decisão.
Ele esclareceu que “a imposição da medida é absolutamente dissociada de qualquer conjuntura relacionada à existência, ou não, de tratativas voltadas à eventual celebração de acordo de colaboração premiada”. Além disso, mencionou que as autoridades envolvidas na investigação identificaram um “risco concreto à integridade física do requerente”, devido à alta visibilidade pública do caso, à natureza dos crimes investigados e às condições pessoais de Vorcaro.
O magistrado enfatizou que o Estado tem a responsabilidade de tomar as medidas necessárias para proteger a vida e a segurança do custodiado. “Neste sentido, a determinação de encaminhar Vorcaro a um local que atenda a essas peculiaridades não constitui um privilégio ou tratamento de favorecimento, mas sim uma ação voltada à proteção dos direitos em disputa”, explicou.
A Polícia Federal, em comunicado ao STF, informou que não poderia manter Vorcaro em suas instalações, considerando que isso poderia gerar complicações operacionais e administrativas para a unidade. Mendonça concluiu que a transferência para o sistema prisional é a opção mais apropriada neste caso, garantindo a segurança do ex-banqueiro.
“A solução encontrada é a que melhor respeita o princípio da proporcionalidade, pois equilibra a impossibilidade de manter o preso nas instalações da Polícia Federal e a necessidade de evitar sua colocação em cela comum, o que preserva sua segurança”, complementou o ministro.
Adicionalmente, Mendonça ordenou que a Polícia Militar do Distrito Federal tome as providências necessárias para limitar o contato de Vorcaro com outros investigados no caso Master, como o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, que se encontra detido na mesma instituição.
Por fim, em virtude da presença de outro investigado na Operação “Compliance Zero” no mesmo local, o ministro estabeleceu que medidas administrativas devem ser implementadas para assegurar a incomunicabilidade entre os investigados, visando a integridade e eficácia das investigações em andamento.
A defesa do ex-presidente do BRB realizou uma série de reuniões com a Procuradoria-Geral da República para discutir uma possível proposta de delação premiada, que ainda está sendo analisada, mas pode ser rejeitada pelas autoridades envolvidas.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em imagem de 2025
Jornal Nacional/ Reprodução.

