A organização responsável pelo atendimento na região da Cracolândia, em São Paulo, contratou uma médica por R$ 30 mil mensais. Curiosamente, a profissional é filha de uma servidora que fazia parte do grupo encarregado de analisar as propostas das entidades concorrentes pelo contrato.
A servidora Paulete Secco Zular, da Secretaria de Saúde, foi uma das três funcionárias designadas para revisar os documentos das entidades que disputavam o chamamento público para prestar serviços na área da saúde na região da Santa Cecília, que abrange usuários de drogas na Cracolândia e na Sé.
Além disso, a médica contratada é filha de Paulete, que estava atuando como fiscalizadora do contrato firmado com a Associação Filantrópica Nova Esperança (Afne), entidade que venceu a licitação.
No último relatório de pagamentos divulgado pela Afne, referente a maio de 2026, o salário da médica superava R$ 31 mil. O assunto gerou preocupações e motivou a abertura de uma sindicância pela Corregedoria Geral do Município em 2025, cuja investigação ainda está em andamento. Servidores da saúde relataram a situação ao vice-prefeito, Coronel Mello Araújo, que encaminhou a denúncia aos órgãos competentes. Por sua vez, a Afne instaurou um inquérito contra os servidores, alegando denunciação caluniosa.
A investigação interna da Prefeitura recomendou, em março deste ano, a suspensão das operações da Afne, mas a entidade conseguiu reverter a decisão judicialmente, mantendo seus serviços ativos.
A Afne afirmou que já se manifestou formalmente sobre as alegações de nepotismo diante das autoridades competentes.
Atualmente, a ex-coordenadora Paulete Secco, que deixou o cargo em 2025, atua como diretora no Hospital Maternidade Escola Vila Nova Cachoeirinha. A função foi extinta por decreto, e há pessoas que acreditam que essa medida visou encobrir o suposto esquema de nepotismo.
Diante das investigações, a sindicância também apontou outros casos semelhantes envolvendo contratações de parentes de uma assessora próxima a Paulete, que recebem juntos cerca de R$ 29 mil. A Prefeitura declarou que está colaborando com as investigações e reafirmou que o contrato com a Afne permanece ativo por decisão judicial, após recomendação de suspensão anterior por parte da Controladoria Geral do Município.
Com informações de metropoles.com.






