
De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, a recente pesquisa realizada pelo instituto Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), traz um alerta para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: para ter chances de se reeleger, é fundamental que ele trabalhe para mudar a percepção negativa dos eleitores a respeito da economia, que se tornou bastante pessimista desde o início do ano.
Interlocutores de Lula comentam sobre o levantamento, que revela que, pela primeira vez, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente do atual presidente nas intenções de voto para um segundo turno, com 42% contra 40%.
Desde dezembro do ano passado até abril deste ano, a percepção dos eleitores sobre a economia se deteriorou consideravelmente. O número de pessoas que acredita que a situação econômica piorou saltou de 38% para 50%. Em contrapartida, a proporção dos que consideram que a economia melhorou caiu de 28% para apenas 21%.
Um dos dados mais preocupantes para o governo Lula é que a deterioração da percepção econômica é especialmente intensa entre os trabalhadores que recebem de dois a cinco salários mínimos. Em dezembro, 41% desses eleitores afirmavam que a economia estava em declínio, percentual que cresceu para 53% em abril. Essa mudança de opinião ocorreu justamente entre o público que deveria se beneficiar de uma das mais recentes medidas do governo: o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil.
Além disso, as avaliações sobre o aumento dos preços dos alimentos também refletem o mau humor geral em relação à economia. Enquanto em dezembro 57% das pessoas afirmavam que os preços estavam subindo, agora esse percentual saltou para 72%, consequência dos efeitos da guerra no Oriente Médio.
Por outro lado, há um ponto positivo na pesquisa: a expectativa sobre a economia futura. O número de cidadãos que acredita que a situação poderá melhorar continua maior, com 40%, enquanto os que acham que a economia vai piorar diminuiu, passando de 34% para 32%.
Em termos de estratégia, a equipe de Lula está confiante de que é possível inverter essa tendência negativa nos próximos meses. Entre as ações planejadas, o governo anunciará em maio um programa de refinanciamento de dívidas destinado a famílias com dificuldades financeiras. Além disso, Lula solicitou à sua equipe a revisão da polêmica taxa sobre blusinhas, uma medida do Ministério da Fazenda que encontrou forte rejeição entre a população. O presidente prometeu que em breve haverá ajustes para beneficiar a população de baixa renda.
Em suma, a pesquisa da Quaest evidencia um cenário desafiador para Lula, que poderá afectar sua reeleição, a menos que ele promova ações contundentes para melhorar a percepção econômica dos eleitores nos meses seguintes.



