A construção civil vive um paradoxo interessante: enquanto a maioria dos empresários do setor demonstra otimismo em relação ao futuro, também se mostra mais avessa ao risco. Essa dualidade sugere uma postura mais cautelosa e conservadora nas decisões do setor, abrangendo aspectos globais.
Essas informações fazem parte da 15ª edição do Global Construction Survey, um relatório da KPMG. O documento reúne dados de 375 líderes do setor de engenharia, construção e imóveis, coletados entre janeiro e março deste ano, e inclui entrevistas com especialistas e executivos do mercado para enriquecer a análise.
Esse fenômeno foi chamado de “paradoxo do progresso”, refletindo a ambivalência encontrada nos dados. O levantamento revelou que 71% dos participantes estão otimistas com as perspectivas da construção civil em escala global, um aumento em relação aos 66% da edição anterior. Em contrapartida, 75% dos entrevistados afirmaram estar mais cautelosos em relação aos riscos, se comparados ao último ano.
A KPMG denomina esse fenômeno de “risk delta”, que mostra o crescente descompasso entre o aumento dos riscos enfrentados pelas empresas de construção e a diminuição da disposição do setor para assumi-los.
Esse otimismo está ligado ao crescimento da indústria, impulsionado pela demanda por infraestrutura. Porém, a aversão ao risco é alimentada por incertezas econômicas, problemas na cadeia de suprimentos e novas exigências regulatórias. Segundo a consultoria, essa postura cautelosa pode proteger as margens no curto prazo, mas também pode restringir investimentos.
De acordo com a análise, tal enfoque pode provocar uma desaceleração na inovação e na adoção de novas tecnologias, além de limitar a expansão em mercados emergentes, o que pode comprometer a competitividade futura das empresas.
O relatório ainda destaca os setores com maior expectativa de crescimento nos próximos 12 a 24 meses:
- Água e utilidades: 91%
- Geração de energia verde: 89%
- Projetos de infraestrutura: 89%
- Transporte: 88%
- Armazenagem e logística: 84%
- Residencial: 84%
- Lazer e hospitalidade: 80%
- Habitação social: 79%
- Ciências da vida: 78%
- Varejo: 75%
- Escritórios: 73%
- Geração de energia por combustíveis fósseis: 73%
Três conclusões da KPMG para a construção civil
O levantamento conclui com três pontos centrais para o setor. O primeiro destaca que a transformação agora é um imperativo. A complexidade e as novas exigências regulamentares estão exigindo mudanças urgentes. O gerenciamento de riscos vai além de simples margens de segurança e passa a requerer disciplina operacional, vantagem digital e integração da sustentabilidade.
O segundo ponto enfatiza que a tecnologia e as pessoas são fundamentais para o crescimento do setor. A capacidade da força de trabalho e a inovação tecnológica são essenciais para melhorar o desempenho. Assim, a eficiência e a resiliência do mercado avançam somente se a transformação da força de trabalho ocorrer em conjunto com a tecnologia.
Por fim, a última conclusão sugere que a entrega adaptativa tornou-se essencial para a operação das empresas. A sustentabilidade e as mudanças nos modelos de entrega são cruciais para atrair investimentos, talentos e acessar novos mercados. Portanto, organizações que não se atualizarem correm o risco de ficarem para trás.
Otimismo regional na América do Norte
A percepção de crescimento é global, mas com variações entre as regiões. O otimismo é maior na América do Norte, onde chega a 77%, seguido pela Europa, Oriente Médio e África com 76%, Ásia-Pacífico com 74% e América do Sul com 71%.
Com informações de forbes.com.br.









