A inteligência artificial é frequentemente vista como uma solução que pode impulsionar a produtividade global e ajudar a controlar custos e inflação. No entanto, Janet Yellen, ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos, afirma que o impacto imediato da IA tem sido o oposto, aumentando as pressões inflacionárias. Em entrevista recente, ela ressaltou que os investimentos em infraestrutura para inteligência artificial estão criando novas demandas por semicondutores, eletricidade e data centers.
Yellen afirmou: “No curto prazo, está claro que os efeitos da inteligência artificial são, se alguma coisa, aumentar a inflação, e não reduzi-la.” Essa visão contrasta com a expectativa de investidores e formuladores de políticas que acreditam que a IA pode trazer um aumento na produtividade semelhante a outras revoluções tecnológicas.
A produtividade ainda não apareceu
De acordo com Yellen, a inteligência artificial já vem afetando setores específicos e influenciando decisões de contratação, mas seus benefícios ainda não se refletem nos dados agregados de produtividade da economia americana. Ela alertou que transformações tecnológicas geralmente levam anos para gerar efeitos macroeconômicos devido à necessidade de mudanças estruturais nas empresas. “As empresas precisam passar por mudanças organizacionais para capturar os ganhos de produtividade”, disse.
O custo da revolução da IA
Os investimentos necessários para expandir a inteligência artificial estão causando efeitos concretos nos preços. A atual demanda por data centers e maior capacidade computacional tem pressionado diversos setores da economia. “Estamos vivendo um boom de investimentos em infraestrutura e data centers”, destacou Yellen.
Ela explicou que essa expansão está elevando a demanda por semicondutores e encarecendo a eletricidade, impactando também o custo de bens de consumo. “Isso está pressionando os preços da eletricidade e dos semicondutores, que estão presentes em quase todos os eletrônicos atuais, afetando diversas cadeias produtivas.”
O efeito riqueza também impulsiona os preços
Outro fator mencionado por Yellen é o efeito riqueza, que vem sustentando a demanda. O crescimento das ações no setor de tecnologia aumentou o patrimônio das famílias, estimulando o consumo e contribuindo para a inflação. “A alta no mercado acionário gerou riqueza e impulsionou os gastos dos consumidores”, afirmou.
O efeito pode mudar no futuro
Apesar das pressões inflacionárias atuais, Yellen não descarta a possibilidade de que a inteligência artificial se torne uma força desinflacionária no futuro. Se os ganhos de produtividade se espalharem pela economia, isso pode resultar em menores custos operacionais e em taxas de juros mais baixas. Contudo, ela ressalta que é difícil prever quando isso pode acontecer.
Um possível alívio para as contas públicas
Yellen também vê um potencial para um alívio fiscal, caso a inteligência artificial acelere o crescimento econômico. A expansão da atividade poderia aumentar a arrecadação de impostos e amenizar a pressão da dívida pública. No entanto, ela alerta que esse efeito provavelmente não será suficiente para resolver todos os desafios fiscais dos Estados Unidos.
Ao examinar os efeitos de curto e longo prazo da inteligência artificial, Yellen oferece uma perspectiva mais cautelosa sobre a atual revolução tecnológica, enfatizando que esta pode trazer custos temporários à economia, como um aumento no investimento e no consumo de energia, além de uma inflação mais persistente.
Com informações de forbes.com.br.







