O Itamaraty expressou preocupação com um potencial uso da força militar dos Estados Unidos no Brasil. Essa declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em um ofício enviado à Câmara dos Deputados, que menciona o “risco de uso da força militar” americano, especialmente após a designação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
De acordo com o ministério, a declaração, embora formal, não traz novos elementos que justifiquem essa possibilidade. O ministro baseou-se em recentes incidentes na América Latina, incluindo as situações da Venezuela, Cuba e Colômbia, para fundamentar suas preocupações.
A nomeação do PCC e do CV como organizações terroristas foi realizada pelo governo de Donald Trump no final de maio, conforme o governo brasileiro, sem consultas prévias. O Departamento de Estado dos EUA descreveu essas facções como algumas das mais violentas do Brasil, afirmando que sua influência vai além das fronteiras nacionais.
Desde então, o governo brasileiro tem criticado essa ação, ressaltando que ela não auxilia na desarticulação das facções e que pode impactar negativamente pessoas e empresas que não estão ligadas à criminalidade.
No ofício, Mauro Vieira mencionou que uma das possíveis consequências dessa classificação seria a intervenção militar dos EUA. Ele citou os seguintes casos:
- Venezuela: Em janeiro deste ano, uma operação militar dos Estados Unidos resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro, a primeira intervenção militar direta na América Latina desde a derrubada de Manuel Noriega, há 36 anos. A ação ocorreu em meio a tensões entre os dois países.
- Colômbia: Em outubro de 2025, os EUA realizaram ataques contra embarcações supostamente operadas por traficantes na costa colombiana, aumentando os temores de uma possível ação militar em solo venezuelano.
- Cuba: O governo de Trump tem intensificado a pressão sobre Cuba, insinuando, em ocasiões, que pode tomar medidas coercitivas em relação ao país, especialmente diante dos conflitos no Irã.
O ministro ressaltou que a inclusão dessas facções na lista de organizações criminosas estrangeiras “representa riscos concretos à soberania nacional”. Ele defendeu que a escolha de classificar as facções como terroristas não trará benefícios à cooperação internacional no combate ao crime organizado.
O Brasil já fez uma proposta aos EUA para colaboração na área, mas até o momento não obteve resposta. De acordo com integrantes do Itamaraty, a oposição a essa classificação não defende as facções, mas sim a legislação brasileira e a soberania nacional, acreditando que as instituições brasileiras devem resolver seus próprios problemas internos, com apoio internacional quando necessário.
Com informações de g1.globo.com.









