O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, esteve envolvido em um incidente durante uma visita à barragem na cidade de José Boiteux, que fica dentro do território tradicional do povo Xokleng. O episódio, que ocorreu na quarta-feira, 8, ganhou repercussão após ser filmado, onde é possível ver Mello se irritando e ofendendo manifestantes indígenas. Durante uma entrevista, o governador afirmou que estava “restaurando tudo que foi destruído pelos indígenas” e, ao perceber a presença dos manifestantes, proferiu: “Vai para a put* que o pariu”.
Em nota, o governo estadual informou que um grupo de indígenas se aproximou do local com cartazes e diversas reivindicações, algumas das quais não estão diretamente ligadas ao governo do estado. Contudo, a nota não fez menção às ofensas proferidas pelo governador.
A Barragem Norte, onde o fato ocorreu, é a maior de Santa Catarina e tem sido alvo de discussões desde a década de 1990. A obra foi inicialmente de responsabilidade do governo federal, que não definiu adequadamente como ficariam as compensações às comunidades indígenas afetadas. Em decorrência disso, surgiram impasses entre as partes envolvidas.
Após mais de duas décadas de debates, a atual gestão estadual comprometeu-se a construir moradias e outras estruturas como forma de compensação à comunidade local. Durante a visita, mesmo diante das manifestações, o governo confirmou a continuidade das obras da barragem e das casas.
O governo destacou que está investindo cerca de R$ 34 milhões em melhorias na Terra Indígena Ibirama-La Klãnõ, incluindo a construção de casas, igrejas, uma escola e outras infraestruturas. A gestão atual, pela primeira vez após 30 anos, assumiu a manutenção da barragem, cumprindo um acordo judicial que remonta a cerca de 20 anos.
No ocorrido, Mello também trocou palavras com uma manifestante, que se apresentou como cacique, e, após uma série de xingamentos, ele não demonstrou preocupação com os protestos.
A Barragem Norte, além de ser um instrumento de contenção contra cheias que frequentemente afetam a região de Blumenau e municípios vizinhos, é considerada estratégica para a segurança dos moradores do Vale do Itajaí.
Com informações de g1.globo.com.









