O governo brasileiro está aguardando a decisão dos Estados Unidos sobre a implementação de novas tarifas sobre produtos exportados do Brasil, que podem ser de 25% e 12,5%. O prazo para a divulgação da medida pela Casa Branca se encerra na próxima quarta-feira (15).
No início de junho, o presidente Donald Trump propôs taxas de 25% após uma investigação que envolveu questões como desmatamento ilegal e pirataria. No dia seguinte, ele anunciou tarifas adicionais de 12,5% para 60 países, incluindo o Brasil, alegando falhas no combate ao trabalho forçado. No entanto, foram apresentadas exceções para evitar aumento nos preços no mercado americano.
A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera provável a confirmação das novas tarifas, especialmente após declaração do representante do Departamento de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, sobre a distância entre os dois países para um acordo. Contudo, há expectativa de que o Departamento de Estado possa incluir uma lista de exceções ao tarifaço.
Empresas americanas que dependem das importações brasileiras já estão fazendo pressão para que alguns produtos fiquem de fora da lista de sobretaxas. O Ministério das Relações Exteriores identificou 43 empresas e associações comerciais que argumentam sobre a dificuldade de encontrar substitutos para esses produtos no mercado interno.
Se as tarifas forem confirmadas, representantes do governo Lula informaram que a reação deverá ser de “indignação”, sustentando que a taxação não se justifica em virtude da estrutura tarifária favorável às exportações dos EUA. Além disso, o governo consideraria a nova taxa como “inaceitável”. As equipes técnicas do Brasil analisariam a situação detalhadamente para definir os próximos passos, que podem incluir novas negociações ou a ativação da Lei de Reciprocidade, que permite retaliar países que impõem barreiras ao Brasil.
O governo brasileiro acredita ser improvável um adiamento das tarifas, visto que a política industrial americana tem se baseado em tarifas sem concessões a outros países. Embora não tenha solicitado oficialmente o adiamento, o Brasil vê com bons olhos uma prorrogação, especialmente se ligada a questões econômicas.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência pelo PL, já solicitou o adiamento das tarifas, afirmando que o momento seria o “pior possível” para novas medidas que poderiam beneficiar Lula. Em conversas reservadas, uma fonte da diplomacia brasileira mencionou que algumas figuras do governo americano poderiam interferir nas eleições brasileiras ao custo da credibilidade do Departamento de Estado.
Um ano atrás, Trump havia anunciado tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, o que acirrou as tensões comerciais entre os países. O Brasil continua trabalhando para evitar a implementação das novas tarifas, que estão gerando preocupação nas esferas comerciais.
Com informações de g1.globo.com.






