O mercado de escritórios em São Paulo enfrentou um desafio no segundo trimestre de 2026, com uma absorção líquida negativa de 4.170 m². Este foi o primeiro indicador negativo desde o início de 2025, marcando o fim de uma sequência de resultados positivos. Os dados foram fornecidos pela Cushman & Wakefield, uma empresa global especializada em serviços imobiliários corporativos.
O motivo principal para essa queda foi a desocupação de uma grande empresa do setor financeiro, que impactou diretamente os números. O Banco Master devolveu seus escritórios na região, resultando em uma desocupação significativa.
Cerca de 14 mil m² foram retornados no edifício-sede do banco, o Auri Plaza, além de áreas menores devolvidas nas propriedades Pátio Victor Malzoni e B32, totalizando aproximadamente 30 mil m². Assim, o Banco Master foi um fator crucial para o resultado negativo do trimestre.
A Cushman & Wakefield, no entanto, observou que a demanda por ativos de alta qualidade permanece forte em várias regiões. A Chucri Zaidan, por exemplo, liderou a absorção líquida no período com 7.628 m², seguida pela Berrini (5.704 m²), Faria Lima (4.042 m²) e Chácara Santo Antônio (3.729 m²).
Em contrapartida, a Vila Olímpia, onde estava a maior parte das áreas ocupadas pelo Banco Master, registrou uma absorção líquida negativa de 14.269 m², seguida pela Marginal Pinheiros (-6.024 m²) e Pinheiros (-4.302 m²). A região da JK, que havia liderado no trimestre anterior, apresentou um resultado próximo da estabilidade, com um saldo negativo de 678 m².
A Cushman & Wakefield analisa trimestralmente o estoque de edifícios de escritórios classe A e A+ nas doze principais regiões do CBD de São Paulo, totalizando 137 prédios e 3.081.560 m².
Neste segundo trimestre, não houve novas entregas de empreendimentos nas regiões analisadas, o que manteve o inventário total estável. As variações observadas na vacância e absorção líquida resultaram apenas dos movimentos de ocupação e devolução.
De acordo com a pesquisa, o preço médio de locação fechou o trimestre em R$ 148,25 por metro quadrado ao mês, revertendo a retração do trimestre anterior e sinalizando uma recuperação do mercado. A Faria Lima se destacou como a região mais valorizada, com um preço médio de R$ 293,08 por metro quadrado, mantendo-se estável em relação ao primeiro trimestre de 2026.
A Vila Olímpia teve a maior valorização, atingindo R$ 194,80 por metro quadrado, enquanto Pinheiros também apresentou crescimento, alcançando R$ 267,61 por metro quadrado. As valorizações continuam concentradas nas regiões mais consolidadas, enquanto outras áreas apresentam uma estabilidade maior.
Vacância Aumenta Levemente
A taxa de vacância no segundo trimestre de 2026 foi de 11,4%, indicando um leve aumento em relação ao trimestre anterior, influenciada pela devolução em massa de escritórios pelo Banco Master.
Entre as principais regiões, a Chucri Zaidan teve redução na vacância, fechando junho com 12,25%. A Faria Lima melhorou, alcançando 8,97%, e a Berrini reduziu sua taxa para 9,39%. No entanto, a Vila Olímpia viu sua vacância aumentar para 22,1%, refletindo as devoluções no período.
Novas Entregas Previstas
Após um trimestre sem novas entregas, o mercado de escritórios de alto padrão de São Paulo deve entrar em uma nova fase de expansão no segundo semestre de 2026. O pipeline mapeado conta com 384,5 mil metros quadrados em construção, com projetos concentrados nas regiões da Chucri Zaidan, Chácara Santo Antônio, Itaim, Rebouças, Pinheiros e Faria Lima.
Esse novo estoque pode aumentar a concorrência entre os edifícios de alto padrão e incentivar a migração de empresas para espaços mais modernos e eficientes. Contudo, o impacto na taxa de vacância pode ser moderado, pois muitos empreendimentos em desenvolvimento já têm contratos de pré-locação em andamento, minimizando a possibilidade de grandes áreas não ocupadas no mercado.
Com informações de forbes.com.br.









