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Economista do Banco Mundial aponta IA como solução para economias em desenvolvimento

O Banco Mundial projeta que a inteligência artificial pode aumentar o crescimento potencial das economias emergentes de 4,1% para 4,9% até 2030, destacando a necessidade de condições adequadas para maximizar os benefícios da tecnologia e evitar desigualdades.

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Reprodução/Forbes Money | Forbes Brasil

A inteligência artificial (IA) tem o potencial de aumentar a taxa média anual de crescimento das economias emergentes e em desenvolvimento, passando de 4,1% para 4,9% até 2030, segundo projeções otimistas divulgadas recentemente por especialistas do Banco Mundial.

Essas informações fazem parte do Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial 2026, apresentado nesta terça-feira, 4. O estudo oferece a primeira análise completa dos impactos da IA em países de baixa e média renda, que abrigam aproximadamente 6,5 bilhões de pessoas.

A relevância dessa tecnologia é ainda maior em um cenário econômico atual de baixo crescimento global. O Banco Mundial destaca que as economias em desenvolvimento vivem o menor crescimento médio dos últimos trinta anos.

“A IA lançou uma tábua de salvação às economias em desenvolvimento, e elas devem aproveitar essa oportunidade”, afirmou Indermit Gill, economista-chefe do Banco Mundial. Ele destacou que o impacto da tecnologia dependerá da velocidade de sua adoção e das condições específicas de cada país, como acesso à energia, conectividade, formação profissional e qualidade institucional.

Potencial de produtividade

O Banco Mundial estima que até 16,2% dos empregos nesses países podem ver sua produtividade aumentada significativamente pela inteligência artificial, um número próximo ao de 18,7% previsto para nações ricas. No entanto, o risco de automação por meio da IA generativa nas economias de baixa e média renda é menor, com apenas 4,5% dos empregos expostos à substituição, em contraste com 14,2% nas economias desenvolvidas.

Essa diferença se deve, em parte, à estrutura do mercado de trabalho. As nações desenvolvidas têm um número maior de atividades cognitivas e administrativas, que são mais vulneráveis à automação. Já nas economias em desenvolvimento, o trabalho manual ainda é predominante.

A principal oportunidade, portanto, não está na substituição de empregos, mas na potencialização das capacidades dos profissionais. A IA pode auxiliar médicos em diagnósticos, agricultores em decisões sobre colheitas e empresas na melhoria da produtividade.

“Não são necessários grandes modelos ou centros de dados para colher os benefícios”, disse Gill, ressaltando que ferramentas menores e de baixo custo podem facilitar o acesso a serviços essenciais como saúde e educação.

Para o economista-chefe, é urgente que os países se adaptem rapidamente, pois a IA está se espalhando em um ritmo acelerado, superando a velocidade de tecnologias passadas como a eletricidade e a internet.

Desigualdade na adoção

A velocidade de adoção da inteligência artificial em países em desenvolvimento ainda é desigual. Em abril de 2025, cerca de 25% dos usuários de internet em nações de alta renda haviam utilizado plataformas como o ChatGPT, enquanto essa porcentagem era de apenas 5,8% em economias de renda média alta e 0,7% nos países de baixa renda.

Além disso, o uso da IA em empresas ainda é superficial, principalmente entre pequenos negócios. Uma em cada cinco pequenas empresas em seis países em desenvolvimento já utiliza chatbots, semelhante ao que ocorre nos Estados Unidos. Entretanto, essas ferramentas são majoritariamente usadas para tarefas simples, como pesquisa e tradução, com mudanças mais significativas nos processos e modelos de negócio ainda em andamento.

Risco de concentração de ganhos

Um ponto importante destacado pelo relatório é que a adoção da IA tende a ser concentrada nas empresas mais produtivas e bem administradas, que já possuem acesso a melhores recursos e profissionais qualificados. Isso pode aumentar a desigualdade entre os negócios de sucesso e aqueles que já enfrentam dificuldades, com ganhos de produtividade em economias avançadas podendo ser mais de três vezes maiores que em países em desenvolvimento.

Para o Banco Mundial, a disponibilização da tecnologia não é o suficiente. É crucial que empresários e trabalhadores desenvolvam as habilidades necessárias para interpretar e utilizar adequadamente as ferramentas que a inteligência artificial oferece.

Competição por investimentos em infraestrutura

A expansão da inteligência artificial está gerando uma disputa por investimentos em infraestrutura. Atualmente, os países em desenvolvimento respondem por cerca de 40% dos novos projetos globais de investimento estrangeiro direto em centros de dados. Esses empreendimentos trazem potencial para atrair capital e ampliar o acesso aos recursos tecnológicos, mas também criam pressão sobre o fornecimento de energia.

A adoção de incentivos fiscais para atrair esses investimentos pode gerar um custo elevado para os governos, sem garantir que os novos projetos resultem em criação de empregos ou empresas locais.

Uma estratégia em três etapas

O relatório sugere uma abordagem em três etapas para os países em desenvolvimento: começar pela adoção de ferramentas já disponíveis, adaptar sistemas aos contextos locais e, por último, desenvolver modelos próprios. Esse plano possibilita a implementação de soluções mais simples e baratas, acessíveis mesmo a dispositivos básicos e em condições limitadas de conectividade.

“A janela para fazer isso corretamente é estreita”, afirmou Gaurav Nayyar, diretor do Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial 2026. Ele emfatizou que a inteligência artificial é uma chance única para resolver problemas que persistem há gerações, mas que é fundamental estabelecer as condições adequadas para que isso aconteça.

Nos países da África Subsaariana, por exemplo, a falta de eletricidade em escolas e a ausência de acesso à internet continuam sendo um desafio. Sem resolver essas lacunas, a inteligência artificial pode aumentar as desigualdades existentes, concentrando ainda mais o poder econômico e minando a confiança nas instituições públicas. Para o Banco Mundial, a tecnologia representa uma oportunidade valiosa, mas seus benefícios não serão automaticamente distribuídos.

Com informações de forbes.com.br.

TAGS: Segurança

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Advogado, autor, professor e palestrante focado na transformação digital da sociedade. Especializado em Direito Civil e atuante no Direito Digital e Empresarial.

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