Um vídeo que circula nas redes sociais, produzido pelo influenciador Henrique Manzione, conhecido como Rei de Orlando, motivou a deputada estadual Ediane Maria, do PSol-SP, a acionar o Ministério Público Eleitoral (MPE). Com mais de 1 milhão de seguidores, o influenciador fez comentários considerados machistas em relação à parlamentar, que buscavam deslegitimar seu mandato ao associá-la a papeis tradicionais de gênero.
No vídeo, Henrique dirigiu insultos à deputada, chamando-a de “deputada esquerdista de merda” e sugerindo que ela deveria “lavar louça” ao invés de se pronunciar sobre o futebol feminino. Essa provocação surgiu após Ediane compartilhar uma publicação sobre a Copa do Mundo Feminina de 2027, que ocorrerá no Brasil, convidando o público a acompanhar o evento.
Em outra parte do vídeo, o influenciador disse que a deputada deveria ser chamada apenas “quando sair o campeonato mundial de quem limpa a casa mais rápido” e insinuou que ela teria “tempo demais” livre.
O pedido da deputada ao MPE é baseado no artigo 326-B do Código Eleitoral, que tipifica a violência política contra a mulher. Essa legislação prevê punições para quem assediar, constranger ou humilhar candidatas e detentoras de mandatos eletivos em razão de seu gênero.
Na representação, a defesa de Ediane mencionou que Henrique utilizou expressões que reduzem as mulheres a funções domésticas, referindo-se a ela e às jogadoras de futebol como um “bando de lava-louça”. Além disso, ele ainda ironizou os direitos conquistados pelas mulheres, questionando: “Já pode votar, já pode dirigir, quer jogar bola também?” e finalizou com: “Sei nem quem que te liberou da internet”.
A deputada não apenas busca a responsabilização criminal, mas também exige que o MPE solicite à Meta identificar completamente Henrique Manzione, inclusive com e-mail e telefone. A representação ainda pede a preservação do vídeo e dos metadados da postagem, para garantir que provas sejam mantidas durante a investigação.
Segundo o documento, essas medidas visam evitar que o conteúdo seja apagado e permitir a responsabilização do autor, caso o MPE conclua que as declarações se enquadram como violência política de gênero ou em outras infrações previstas pela lei brasileira.
Procurado, Henrique Manzione não respondeu até a publicação.
Com informações de metropoles.com.









