A geração de energia nuclear no mundo alcançou um novo recorde em 2025, e a China foi a principal responsável pelo crescimento observado nesse período.
Conforme aponta um estudo recente, as usinas nucleares globais produziram 2.845 terawatts-hora (TWh) em 2025, um aumento de 30 TWh, ou 1,3%, em relação ao ano anterior. A China ampliou sua produção em mais de 34 TWh, indicando que, sem seu crescimento significativo, a geração nuclear global teria diminuído.
Esses dados revelam que, embora a produção nuclear esteja em ascensão, a expansão continua muito concentrada. Os Estados Unidos ainda possuem a maior frota de usinas nucleares, mas a diferença para a China está diminuindo rapidamente.
Recorde alcançado após quase duas décadas
É importante contextualizar este novo recorde. A geração nuclear global já havia alcançado 2.803 TWh em 2006, portanto, o total de 2025 representa apenas um aumento de 1,5% em relação a quase duas décadas atrás. A produção nuclear cresceu lentamente, com um total de 2.576 TWh em 2015, passando para 2.845 TWh no último ano. Isso corresponde a um crescimento de 10,5%, ou cerca de 1% ao ano.
A China, sozinha, foi responsável por praticamente todo o crescimento da geração nuclear, subindo de 171 TWh em 2015 para 485 TWh em 2025. Se considerarmos apenas o restante do mundo, houve uma redução na produção de quase 44 TWh em comparação a dez anos atrás, evidenciando a dependência do crescimento da geração nuclear na China.
Estados Unidos seguem na liderança
Os Estados Unidos continuam a liderar a produção mundial, com 826 TWh em 2025, o que representa 29% do total global. Esse número é quase 70% superior à produção da China, que ocupa a segunda posição. A França, em seguida, gerou 390 TWh, enquanto outros países também contribuíram para a produção, embora em volumes menores.
A produção dos EUA permaneceu estável ao longo da última década, enquanto a China quase triplicou sua geração nuclear, com um crescimento médio anual próximo de 11%. Se essa tendência se mantiver, espera-se que a China ultrapasse os Estados Unidos em questão de anos.
França e Japão também contribuem para o aumento
Embora a China tenha liderado o crescimento em 2025, França e Japão também mostraram sinais de aumento na produção. A geração nuclear da França cresceu 9,6 TWh, totalizando 390 TWh, enquanto o Japão aumentou sua produção em 9,2 TWh, alcançando 94 TWh, embora ainda abaixo dos níveis anteriores ao acidente de Fukushima.
Crescimento da energia nuclear migra para a Ásia
Os números indicam que a Ásia-Pacífico viu sua geração nuclear saltar de aproximadamente 420 TWh em 2015 para perto de 845 TWh em 2025, representando quase 30% do total global. Em comparação, a América do Norte gerou 921 TWh, ligeiramente abaixo dos 952 TWh de 2015, e a Europa teve uma queda mais acentuada, passando de 968 TWh para 759 TWh no mesmo período.
A diferença entre países desenvolvidos e em desenvolvimento é notável. Na OCDE, a geração nuclear caiu em cerca de 96 TWh na última década, enquanto fora da organização, aumentou quase 366 TWh. Apesar de responderem por dois terços da produção global, as nações da OCDE deixaram de ser as principais responsáveis pelo crescimento no setor.
Geração recorde, mas participação ainda reduzida
Embora a geração nuclear tenha alcançado níveis históricos, sua participação na matriz energética global diminuiu ligeiramente. Em 2025, a energia nuclear representou 5,17% do total, uma queda em relação a 5,19% no ano anterior. Embora os números sejam impressionantes, a energia nuclear ainda não conseguiu ampliar sua fatia em relação a outras fontes, como petróleo e gás natural.
Nos países como França, Finlândia e Suécia, a energia nuclear ainda ocupa uma porção significativa da matriz energética, enquanto na China, mesmo com o crescimento, representa apenas 3,3%. Essa situação mostra que há potencial para expansão, especialmente se o país seguir construindo novos reatores.
O panorama geral
O recorde de 2025 demonstra que a energia nuclear está em crescimento, mas a expansão global continua restrita. Enquanto os Estados Unidos mantêm a liderança, as melhorias na França e Japão não restituem os níveis de produção europeus de anos anteriores. A dependência da expansão nuclear está, em grande parte, nas mãos da China, que tem superado o crescimento total do setor em muitos países desenvolvidos.
Com informações de forbes.com.br.







