A indústria cervejeira brasileira, que sempre se preocupou com o sabor, tradição e identidade de suas marcas, agora enfrenta um novo desafio: conquistar consumidores que desejam socializar sem álcool. Essa mudança reflete uma transformação no mercado de bebidas, impulsionada por novas gerações que tem priorizado a saúde e o bem-estar.
A Geração Z e os Millennials estão cada vez mais adotando hábitos de consumo moderados em relação ao álcool. Estima-se que cerca de 30% dos consumidores tenham reduzido seu consumo diário de bebidas alcoólicas, conforme dados da Mintel, Agência Global de Inteligência de Mercado.
No Brasil, o setor de cervejas sem álcool passou por um crescimento significativo. O Anuário da Cerveja de 2025, publicado pelo MAPA, aponta que a produção de cervejas sem álcool saltou de 118,9 milhões de litros em 2023 para 757,4 milhões de litros em 2024. Esse crescimento reflete o investimento de grandes nomes da indústria, como a Ambev, que já aplicou cerca de 10 bilhões em inovação nos últimos três anos, segundo a diretora de categoria cervejeira, Anna Paula Alves.
Atualmente, as cervejas sem álcool representam cerca de 5% do total do mercado brasileiro, com expectativa de ultrapassarem 7% até 2030, conforme estimativas da CervBrasil.
Ambev e Heineken: um novo desafio
Retirar o álcool sem comprometer o sabor e a textura da bebida requer uma reestruturação dos processos de produção. Historicamente, cervejas sem álcool eram vistas como excessivamente doces e com aromas insatisfatórios. Contudo, a tecnologia avançou, permitindo métodos mais eficazes, como a destilação a vácuo em baixas temperaturas.
Rafael Rizzi, Vice-Presidente do Grupo Heineken, explicou que a produção de cervejas zero álcool segue o mesmo processo das cervejas tradicionais, com uma etapa adicional para retirar o álcool. A Heineken já investiu cerca de R$ 180 milhões nas linhas de produção dessas cervejas em Araraquara (SP) e Ponta Grossa (PR).
Neste contexto, a Heineken 0.0 se consolidou como líder no segmento no Brasil, um dos dez maiores mercados do mundo para a marca nesse nicho, com um crescimento acelerado. Rizzi destacou a importância dessa categoria para a empresa em adaptação ao novo comportamento do consumidor.
Da mesma forma, Anna Paula Alves ressaltou o otimismo da Ambev em relação ao crescimento da cerveja zero, prevendo um aumento de 30% no volume até 2025. Esse segmento não só representa uma oportunidade de crescimento, mas também altera a dinâmica de rentabilidade do setor. Embora a fabricação seja um pouco mais cara devido à desalcoolização, os custos são compensados pelos preços mais elevados e menores tributações.
O crescimento das cervejas saudáveis e low carb
Além das cervejas sem álcool, ganha força um mercado de cervejas classificadas como “ultra light”, que possuem teor alcoólico reduzido e baixas calorias e carboidratos. Exemplos como a Michelob Ultra demonstram o potencial deste segmento. A Ambev está investindo na marca no Brasil, com um crescimento notável no volume de opções mais saudáveis, incluindo Michelob Ultra e Stella Pure Gold.
A popularidade desse mercado reflete mais do que uma tendência passageira. O amadurecimento tecnológico e as transformações comportamentais estão transformando as bebidas sem álcool em um pilar significativo para o crescimento e inovação da cadeia cervejeira nas próximas décadas.
Com informações de forbes.com.br.








