A exclusão de pessoas LGBTI+ do mercado de trabalho representa um custo de R$ 94,4 bilhões anuais para o Brasil, o que corresponde a 0,8% do PIB. Esse dado, revelado em um estudo do Banco Mundial, aponta que a discriminação no contexto profissional impacta diretamente o emprego, a renda, a produtividade e a arrecadação pública. Para se ter uma ideia, esse valor supera a soma de três orçamentos anuais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que, na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, totaliza R$ 26,40 bilhões.
O levantamento foi apresentado ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) na semana passada e indica que a maior parte da perda econômica se deve ao desemprego, que sozinho representa R$ 44,8 bilhões por ano. O estudo também revela que a inatividade contribui com R$ 24,1 bilhões, enquanto a diferença salarial soma R$ 20,7 bilhões. A informalidade e a concentração em ocupações de menor qualidade adicionam R$ 4,8 bilhões a esse montante.
Desemprego e renda
A taxa de desemprego entre adultos LGBTI+ é alarmante: 15,2%, quase o dobro da média nacional, que é de 7,7%. Da mesma forma, a taxa de emprego desse grupo é inferior a 47,4%, em comparação com 58,9% da população geral. A inatividade atinge 37,4% entre pessoas LGBTI+, enquanto a média brasileira é de 33,4%. A informalidade também é um desafio, com uma taxa de 46% dentro dessa comunidade, em comparação a 40% entre o restante da população. O trabalho autônomo atinge 30% desse grupo, superando os 25% contabilizados na população geral.
A princípio, a renda média mensal dos LGBTI+ empregados parece ser maior, com R$ 3.470, comparado a R$ 2.953,89 da população em geral. Contudo, o Banco Mundial aponta que essa média é enganosa, uma vez que essa amostra apresenta maior escolaridade e urbanização. Ao considerar a menor probabilidade de emprego, a renda relativa das pessoas LGBTI+ diminui para 91% em relação à população geral.
Mulheres perdem mais
As perdas financeiras são ainda mais expressivas entre mulheres LBTI+, que somam R$ 54,3 bilhões em perdas anuais, enquanto os homens GBTI+ representam R$ 40,1 bilhões. Para as mulheres, o desemprego gera uma perda de R$ 27,9 bilhões, com a inatividade somando mais R$ 15,6 bilhões. Entre os homens, o impacto do desemprego é de R$ 17,6 bilhões e a inatividade alcança R$ 8,8 bilhões.
Pessoas pretas e pardas LGBTI+ enfrentam desvantagens ainda mais pronunciadas em termos de desemprego, informalidade e remuneração. As maiores disparidades são observadas entre mulheres pretas e pardas LBTI+, que enfrentam múltiplas barreiras relacionadas a gênero, raça e orientação sexual ou identidade de gênero.
Discriminação pesa no salário
O relatório também revela que a renda diminui à medida que aumenta a discriminação no ambiente de trabalho. Para homens GBTI+ que não relatam discriminação, a renda mediana anual é de R$ 39,2 mil, mas cai para R$ 31,4 mil em casos de alta discriminação. Entre as mulheres LBTI+, a redução é ainda mais acentuada, com a renda mediana anual de R$ 32,8 mil caindo para R$ 22,7 mil em situações de alta discriminação.
O desemprego também cresce em função da exposição ao preconceito: entre homens GBTI+, a taxa vai de 9,8% para 18,2%, enquanto para mulheres LBTI+, sobe de 14,4% para 26,3%. Para especialistas, esses dados evidenciam que políticas de inclusão devem ir além de campanhas institucionais, tornando-se uma parte central da agenda de desenvolvimento econômico.
Conta para o governo
A exclusão do mercado de trabalho também impacta as contas públicas, com um custo fiscal anual estimado em R$ 14,6 bilhões, sendo R$ 10,6 bilhões relacionados à perda de arrecadação. Despesas adicionais ligadas ao desemprego somam R$ 3,1 bilhões, enquanto os gastos com inatividade chegam a R$ 900 milhões. Para mulheres LBTI+, a perda fiscal é de R$ 8,7 bilhões, e para homens GBTI+, R$ 5,9 bilhões.
A análise indica que a discriminação não apenas força trabalhadores a aceitar empregos menos estáveis e com salários mais baixos, mas também diminui a arrecadação e pressiona os programas de proteção social.
Desafio para empresas
O estudo sugere que as empresas precisam implementar políticas mais eficazes contra discriminação, além de processos de contratação e promoção menos tendenciosos, canais seguros para denúncias e monitoramento de indicadores de recrutamento e carreira. À medida que esse tema ganha destaque, a responsabilidade pela inclusão torna-se vital não só do ponto de vista social, mas também econômico para as empresas.
A conclusão do Banco Mundial é clara: a exclusão de pessoas LGBTI+ não só limita o potencial produtivo da força de trabalho como também compromete a arrecadação e o crescimento econômico. A promoção da inclusão surge, assim, como uma importante estratégia para impulsionar a produtividade e competitividade do Brasil.
Com informações de forbes.com.br.









