A nova tarifa de 12,5% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode fazer a cobrança total chegar a 37,5% em algumas exportações do Brasil. Especialistas alertam que os impactos não se restringem apenas às empresas que vendem diretamente para os EUA, mas podem afetar a cotação do dólar, dificultar a redução dos juros e aumentar a cautela dos investidores.
A sobretaxa começou a valer no dia 24 de agosto e faz parte de medidas comerciais contra 60 países. O governo americano argumenta que esses países não implementaram efetivamente mecanismos para coibir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. A nova taxação atinge 4.060 produtos, que representam cerca de US$ 12,4 bilhões em exportações, equivalendo a 29,4% do total de exportações brasileiras para os EUA.
A tarifa impacta parceiros que são responsáveis por 99,4% das importações americanas. Para países que fizeram algum tipo de acordo para proibir o trabalho forçado, a tarifa foi fixada em 10%. Já para o Brasil, ela é de 12,5%, com algumas exceções, conforme o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos.
Essa nova medida se junta à tarifa de 25% que entrou em vigor no dia 22 de agosto, resultando em uma carga tributária que pode chegar a 37,5% para os produtos afetados. Especialistas como Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, afirmam que o risco maior não são apenas os 12,5%, mas a possibilidade de que mais medidas sejam criadas, aumentando a incerteza econômica.
Empresas podem rever investimentos e contratações
A primeira reação das empresas deve ser uma revisão nas decisões sobre produção, estoque e investimentos, especialmente aquelas que dependem do mercado americano. O efeito na economia brasileira dependerá dos produtos afetados e da capacidade das empresas de encontrar novos mercados.
Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, acredita que redirecionar as vendas pode ajudar a compensar as perdas, mas que o impacto tende a aumentar se a disputa se alongar, afetando a atividade econômica e a balança comercial.
Além disso, a pressão pode se estender pela cadeia de fornecedores. A redução na margem de uma exportadora pode levar a cortes de encomendas e atrasos em projetos de expansão. Patrus ressalta que a incerteza sobre os custos de acesso ao mercado americano levará as empresas a reavaliar seus investimentos e contratações.
Dólar e juros entram na conta
A nova tarifa pode também interferir no mercado financeiro brasileiro. André Matos, CEO da MA7 Capital, destaca que a medida é global e, caso os custos sejam repassados aos consumidores americanos, a inflação nos EUA pode aumentar, o que reduziria as chances de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve.
Juros altos nos EUA, por um período prolongado, podem fortalecer o dólar e desviar investimentos para o país, o que poderia causar a saída de capital e desvalorização de moedas em economias emergentes, como o Brasil, que enfrentam uma dupla pressão: perda de competitividade e um cenário financeiro mais desafiador.
No mercado interno, a alta do dólar pode tornar insumos importados mais caros, pressionando os preços. No entanto, uma desaceleração econômica pode dificultar o repasse desses custos. Araújo aponta que a tarifa não impede cortes na Selic, mas torna a economia mais suscetível a variações cambiais e inflacionárias.
Crédito de R$ 18,5 bilhões pode aliviar impacto
O governo anunciou R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para empresas afetadas pelas tarifas dos EUA, sendo R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do BNDES. Os recursos visam financiar capital de giro, compra de máquinas e equipamentos, além de investimentos em novos mercados.
Setores como agricultura, mineração, indústrias química e farmacêutica, e a indústria automotiva estão entre os beneficiados. Para Araújo, esse crédito pode mitigar o impacto sobre a produção e o emprego, desde que direcionado a empresas viáveis e por tempo limitado.
Venture capital pode reduzir exposição aos EUA
A incerteza gerada pela nova tarifa também afeta startups e fundos de venture capital, já que empresas em início de trajetória são mais sensíveis a mudanças no cenário econômico. Patrus prevê que as rodadas de investimento demorarão mais e que as avaliações se tornarão mais conservadoras, priorizando negócios menos dependentes do mercado americano.
Com a busca crescente por mercados como Europa, Oriente Médio e Ásia, as empresas brasileiras podem reavaliar como entrar nos EUA, apostando em uma negociação que possa reduzir a incerteza nas taxas de câmbio e juros.
Com informações de forbes.com.br.









