O mercado imobiliário de Singapura tem chamado atenção recentemente, especialmente devido ao aumento no número de bilionários e à escassez de terrenos. Essa situação reflete uma dinâmica de mercado única, resultando em preços crescentes para imóveis na região.
Singapura, com apenas 730 quilômetros quadrados de área — aproximadamente 60 vezes o tamanho do Parque Ibirapuera, em São Paulo — é um país compacto, mas com um mercado imobiliário sofisticado. Nos últimos anos, muitos milionários e ultra-ricos têm se estabelecido na cidade, e o número de family offices vem crescendo rapidamente. A CapitaLand, a maior gestora de ativos reais da Ásia, opera neste mercado, gerenciando cerca de S$ 125 bilhões em ativos, equivalentes a quase R$ 500 bilhões na cotação atual.
Os preços dos imóveis em Singapura têm apresentado uma valorização consistente, aumentando especialmente nos últimos cinco anos. O mercado de luxo, que já é limitado em todo o mundo, se torna ainda mais exclusivo devido às restrições geográficas e regulatórias que restringem a oferta de terrenos.
De acordo com a Urban Redevelopment Authority (URA), o índice de preços mostrou uma apreciação acumulada de 3,4% em 2025. Entre o primeiro trimestre de 2020 e o final de 2025, a JLL reportou um crescimento de 42,3% nos preços dos imóveis privados. O programa de vendas de terrenos do governo, conhecido como GLS, tem revelado uma dinamicidade agressiva no mercado.
Os dados da PropNex, baseados nos registros da URA, indicam que, nos primeiros meses de 2026, o preço médio dos terrenos residenciais alcançou cerca de R$ 64,7 mil por metro quadrado. Isso representa um aumento quase 13% em relação ao ano anterior.
Desenvolvedores como CDL, Sunway MCL e CSC Land estão competindo ferozmente por terrenos em locais valorizados como River Valley e Newton, mostrando confiança de que os compradores finais estão dispostos a investir grandes quantias.
Ofertas no mercado
Recentemente, empresas e bilionários estão avançando sobre terrenos limitados. Um exemplo recente inclui a proposta da incorporadora Sunway MCL, que, junto com a CSC Land, fez a maior oferta por um terreno em River Valley Green, apresentando S$ 751 milhões (aproximadamente R$ 2,98 bilhões) por um lote de alto padrão.
Outro exemplo é a City Developments Ltd. (CDL), que, em parceria com a Hong Realty, venceu uma disputa por um terreno em Peck Hay Road, oferecendo S$ 542,4 milhões (cerca de R$ 2,712 bilhões).
Causas da escassez
A dinâmica de mercado em Singapura é marcada pela alta demanda por imóveis de luxo, combinada com uma oferta escassa de terrenos. O crescimento urbano é controlado pelo governo, resultando em áreas nobres que se tornam ativos raros. A competição se concentra principalmente na Core Central Region (CCR), onde imóveis de alto valor estão localizados.
Além disso, a demanda por propriedades de luxo tem sido impulsionada pela entrada de capital internacional e por indivíduos de alta renda da Ásia, mesmo diante de restrições e aumentos de impostos para compradores estrangeiros.
Em 2024, Singapura recebeu mais de 3,5 mil novos milionários e viu o número de family offices saltar de cerca de 400 em 2020 para mais de 2 mil no fim de 2024. O país destaca-se também por ter desbancado a Suíça como a nação mais competitiva do mundo, conforme o IMD World Competitiveness Ranking.
Avaliações do mercado imobiliário
Relatórios de consultorias como Knight Frank e UBS destacam Singapura como um importante centro global de gestão de riqueza, sendo classificada entre os melhores locais para investidores e bilionários. Singapura apresenta crescimento contínuo nos preços dos imóveis e é vista como um porto seguro, atraindo um grande fluxo de capital.
As residências mais exclusivas, como os Good Class Bungalows, somam em torno de 2,8 mil propriedades, com novos terrenos não sendo liberados há décadas, intensificando ainda mais a competição. O sistema de propriedade, onde os imóveis são frequentemente vendidos como arrendamentos de 99 anos, contribui para essa escassez.
Em termos de preços, o metro quadrado em Singapura atinge cerca de S$ 19,5 mil, enquanto os apartamentos HDB, que são acessíveis para a maior parte da população, têm preços significativamente menores.
Com informações de forbes.com.br.








