Em um trágico registro, mais de 2 mil pinguins foram encontrados mortos em praias de Florianópolis nos últimos quatro meses, com impressionantes 293 aves identificadas apenas no dia 9 de julho. Os dados foram divulgados pela Associação R3 Animal, que coordena o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) na região.
As estatísticas mostram que 2.210 pinguins foram localizados entre março e 10 de julho, sendo que apenas 148 ainda estavam vivos. Embora os números sejam alarmantes, especialistas afirmam que essa mortalidade segue o padrão de temporadas anteriores.
A Praia de Moçambique, localizada no Leste da Ilha, foi o local com o maior número de ocorrências, contabilizando 106 pinguins, seguida pela Praia dos Ingleses, que teve 69 registros. Isso aconteceu em um dia onde apenas seis pinguins conseguiram ser resgatados com vida.
No ano anterior, a equipe de monitoramento já havia encontrado mais de 2.700 pinguins, com 2.615 deles mortos. A migração dos pinguins-de-Magalhães para o litoral brasileiro ocorre anualmente entre maio e junho, quando as aves deixam suas colônias na Patagônia e Ilhas Malvinas. Muitos não sobrevivem ao longo do caminho devido à exaustão.
De acordo com Stella Ferrari, técnica do PMP-BS/R3 Animal, a maioria dos pinguins encontrados mortos são jovens, que estão em sua primeira migração e acabam se perdendo do grupo. Eles frequentemente chegam às praias debilitados, apresentando sinais de hipotermia e fraqueza.
Além das naturais dificuldades da migração, fatores como a poluição dos oceanos e a captura acidental em redes de pesca contribuem para o aumento da mortalidade da espécie. A expectativa é que os pinguins continuem a aparecer na costa de Santa Catarina até setembro ou outubro, quando os sobreviventes começam a retornar às suas colônias.
O monitoramento das praias em Florianópolis ocorre diariamente. Quando um animal sem vida é encontrado, passa por uma triagem, podendo ser encaminhado para exames de necropsia. As aves vivas que forem resgatadas são levadas ao Centro de Reabilitação da R3 Animal para receber os cuidados necessários até estarem prontas para retornar à natureza.
É importante destacar que o resgate só deve ocorrer quando o animal está efetivamente na faixa de areia. Caso os pinguins sejam avistados nadando ou se alimentando, isso é considerado um comportamento natural.
Para quem se deparar com um pinguim na praia, a R3 Animal recomenda seguir algumas orientações: não devolver o animal ao mar, não colocá-lo em contato com água ou gelo, não tentar alimentá-lo, não tocá-lo e manter animais domésticos afastados. O resgate pode ser acionado através dos números disponíveis para atendimento da R3 Animal.
Com informações de g1.globo.com.








