As pré-campanhas para as eleições presidenciais têm gerado discussões sobre o uso de inteligência artificial em materiais publicitários. Enquanto algumas propostas se mostram favoráveis à tecnologia, outras preferem limitar sua utilização.
Dentre os benefícios apontados, estão a redução de custos e a facilidade de acesso à tecnologia. No entanto, críticos alertam que o uso excessivo pode transmitir uma imagem artificial, afastando o eleitor e intensificando a desconfiança em relação à política.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informa que utilizará a inteligência artificial apenas como uma ferramenta auxiliar e não pretende substituí-lo em gravações ou criar versões fictícias dele. “Nas redes ou na TV, será sempre o Lula de verdade, falando de verdade”, afirmou Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT.
No mês de maio, durante um evento na Bahia, Lula comentou sobre o assunto de forma crítica. “Um político tem que olhar nos olhos do povo, para saber quem está mentindo”, declarou, enfatizando sua posição contra a criação de versões artificiais de sua imagem.
O PT também se manifestou em um vídeo nas redes sociais, esclarecendo que o problema não está em usar tecnologia, mas sim em como ela pode ser manipulada. O partido criticou “a turma bolsonarista” por apresentar “um candidato de mentira em situações de mentira”, referindo-se a Flávio Bolsonaro (PL).
Flávio Bolsonaro já utilizou inteligência artificial em vídeos em suas redes sociais, seguindo as regras eleitorais que requerem a identificação de conteúdos gerados por IA. Um exemplo é um vídeo onde aparece como piloto de um caça combatendo facções criminosas. Um aliado do pré-candidato comentou que a campanha usará a tecnologia conforme a legislação permite e que esses materiais proporcionam engajamento, mesmo que não mais que outros formatos.
Romeu Zema (Novo) também pretende investir em inteligência artificial, entendendo que ela é uma ferramenta simples e de baixo custo, acessível a qualquer perfil. Ele já produziu conteúdos animados criticando privilégios de autoridades, sem intenções de enganar o público.
Por outro lado, Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) devem priorizar vídeos com suas aparições reais. Um estrategista da pré-campanha de Caiado comentou que o uso de IA deve ser limitado, principalmente em apresentações de projetos. Já a vereadora Amanda Vettorazzo, coordenadora da campanha de Santos, afirmou que pretendem usar o mínimo possível, focando em ilustrar propostas.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu novas regras sobre o uso de inteligência artificial nas campanhas. A legislação busca assegurar que a tecnologia contribua para a democracia nas eleições, determinando que materiais criados ou alterados por IA precisem ter um aviso claro, evitando enganos ao eleitor. Além disso, conteúdos com vozes ou imagens de candidatos não podem ser publicados nas 72 horas anteriores às eleições e nas 24 horas após a votação, sob pena de remoção imediata pelas plataformas.
Com informações de g1.globo.com.






