O Ministério das Relações Exteriores do Brasil identificou 43 empresas e associações comerciais dos Estados Unidos que se opõem a tarifas sobre produtos brasileiros, em resposta a uma investigação iniciada pelo governo americano. As entidades argumentam que não há alternativas produzidas internamente para os produtos importados, e que a introdução das tarifas aumentaria os custos para consumidores e indústrias norte-americanas que dependem desses insumos.
O governo brasileiro enviou um documento ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) contestando a investigação, que acusa o Brasil de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio. Com potencial de imposição de uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros, esse movimento está gerando preocupação entre os setores envolvidos.
No início deste mês, o USTR iniciou a fase de audiências públicas relacionadas à investigação, permitindo a participação de interessados. Representantes de associações brasileiras e americanas de setores diversos, como café, arroz, açúcar e calçados, compareceram e compartilharam suas preocupações. Para o presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), Abrão Neto, tarifas adicionais poderiam impactar negativamente tanto a economia brasileira quanto a americana, resultando em um aumento de custos e perda de competitividade.
Neto também destacou que a participação dos EUA no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos primeiros cinco meses de 2026, a menor de todos os tempos, com importações brasileiras dos EUA também recuando 11% no mesmo período. Segundo ele, isso indica que novas tarifas poderiam diminuir ainda mais a presença comercial dos americanos em um dos maiores mercados emergentes.
As audiências levantaram a questão de que novas tarifas podem não apenas onerar as empresas americanas, mas também aumentar a dependência das cadeias produtivas dos EUA de insumos chineses, o que contraria a estratégia comercial do governo Trump.
As investigações contra o Brasil, mencionadas pelo USTR, apontam práticas que dificultam o comércio americano, como barreiras ao etanol, problemas de propriedade intelectual e falta de combate ao desmatamento.Apesar disso, uma lista de exceções foi anunciada, incluindo produtos como café, carnes, e medicamentos, que podem ficar isentos das tarifas.
A conclusão das consultas e a decisão sobre a aplicação das tarifas devem ocorrer até 15 de julho.
Com informações de g1.globo.com.









